Sindicato alerta para perda de serviços de receção e segurança em delegações da RTP/Açores
30 de ago. de 2025, 10:43
— Lusa
“A concretizar-se o encerramento do serviço de receção, no dia seguinte ninguém sabe de que forma tem acesso às instalações”, afirmou, em declarações à Lusa, o dirigente nacional do SINTTAV, Luís Nunes, funcionário da delegação da ilha Terceira da RTP/Açores.Em julho, o deputado do PSD à Assembleia da República Paulo Moniz questionou o ministro da Presidência, por escrito, sobre a possibilidade de a RTP retirar os serviços de segurança e receção, em permanência durante 24 horas, das delegações das ilhas Terceira e Faial, substituindo-os por um vídeo porteiro a partir de Lisboa.“Esta solução de controlo remoto a partir de Lisboa fragiliza a robustez de funcionamento, especialmente quando a RTP/Açores se torna vital no quadro de catástrofes e conforme se comprova pelo histórico recente”, alertou, na altura, o deputado social-democrata, citado em comunicado de imprensa.O dirigente do SINTTAV disse ter indicação de que, pelo menos na ilha Terceira, a medida se concretiza a partir das 22:00 de domingo, mas os trabalhadores não têm informação de como entrarão nas instalações na segunda-feira.“O SINTTAV já por duas vezes questionou a administração [da RTP] sobre este assunto. Houve uma primeira resposta, há algumas semanas, a dar como certo o encerramento deste serviço, mas sem referir a data, nem como se processaria o funcionamento da delegação após essa tomada de posição. No dia 01 não sabemos o que nos espera”, adiantou Luís Nunes.Segundo o dirigente sindical, os funcionários de uma empresa de segurança contratada pela RTP não asseguravam apenas a vigilância do edifício, mas tinham ao seu cargo funções como “a gestão da frota, o atendimento ao público, o atendimento telefónico, a ativação e desativação de alarmes ou a iluminação de áreas comuns”.Os trabalhadores não sabem por quem serão prestados estes serviços a partir do dia 01.“São tudo incógnitas até ao momento”, reforçou Luís Nunes.O dirigente do SINTTAV considerou que funcionamento da delegação da ilha Terceira ficará “no mínimo comprometido” com esta decisão.“As pessoas nem se podem dirigir [à delegação], porque a porta estará fechada. É uma porta que se fecha na ilha”, lamentou.“Como segunda maior ilha dos Açores, com a importância que nós temos no contexto dos Açores, é uma diminuição de importância e não sabemos se é um pronúncio de situações futuras mais agravadas”, acrescentou.Os dirigentes do SINTTAV reuniram-se hoje com a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória a alertar para esta situação e admitiram "tomar outras ações" se os serviços forem encerrados na segunda-feira.Em 2015, o município da Praia da Vitória assinou um protocolo, em que cedia uma antiga escola para a instalação da delegação da ilha Terceira da RTP, que até então se encontrava em Angra do Heroísmo. A Lusa questionou a administração da RTP por escrito, mas até ao momento não obteve resposta.