Sindicato alerta para "graves erros" que persistem no processamento de salários dos médicos
23 de jun. de 2024, 08:42
— Lusa
“Desde
janeiro, o SIM tem alertado repetidamente para os graves erros no
processamento dos vencimentos dos médicos em várias Unidades Locais de
Saúde (ULS)”, mas até agora “nada mudou”, lamenta em comunicado.Segundo
o sindicato, o suplemento de Dedicação Plena também continua a não ser
pago em muitas Unidades Locais de Saúde (ULS), mesmo após a adesão dos
médicos a este regime.“Algumas ULS têm
recorrido a manobras dilatórias burocráticas para, de forma ilegal,
tentar impedir a adesão dos médicos à Dedicação Plena. Outras, nem
sequer respondem aos pedidos, mostrando total inoperância e dando razão
às palavras da Ministra da Saúde”, critica o sindicato, aludindo às
afirmações da governante sobre lideranças fracas na saúde.O
sindicato refere que já interveio junto da Administração Central do
Sistema de Saúde (ACSS) e da Direção Executiva do SNS, exigindo a
correção imediata destas falhas.Diz que
enviou em maio ao Ministério da Saúde “o resultado detalhado” de um
inquérito preenchido por mais de 900 associados, que demonstrava “graves
falhas de várias ULS” e “um SNS a várias velocidades”.Para o SIM, trata-se de uma “situação intolerável e uma grave fraude às legítimas expectativas dos médicos”. “Lamentamos
profundamente que os médicos continuem a ser tratados de forma
desigual, conforme o seu local de trabalho. Se algumas ULS conseguem
cumprir com os pagamentos, todas deveriam ser capazes de o fazer”,
defende.O SIM lamenta também o adiamento
da reunião negocial com a tutela que estava prevista para segunda-feira,
considerando que esta decisão revela “uma inaceitável falta de sentido
de urgência” por parte do Governo.Alerta
para “a situação já insustentável” enfrentada pelos médicos e para “a
irreversibilidade do dano causado na confiança dos médicos nas
lideranças das administrações e da equipa ministerial”. O SIM reitera a sua disponibilidade para dialogar e resolver esta situação, mas avisa que não pode “aceitar mais adiamentos”.A
presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá,
também lamentou à Lusa no sábado o adiamento da reunião, afirmando que
se impõe que “esta negociação aconteça quanto mais célere melhor”, caso
contrário “este verão ainda vai ser pior que os outros”, uma vez que
continuam a faltar médicos no Serviço Nacional de Saúde.O
Ministério da Saúde esclareceu no sábado que as reuniões foram adiadas
devido a alterações na agenda da ministra e pelo trabalho que está a ser
feito em colaboração com o Ministério das Finanças.“A
ministra da Saúde recebeu, no dia 21, uma convocatória para estar na
Assembleia da República no próximo dia 28 de junho, para ser debatido o
Plano de Emergência da Saúde, o que obrigou a alterações na respetiva
agenda semanal”, afirma numa resposta escrita à Lusa.O
Governo disse ainda que tem estado a trabalhar em várias medidas para
procurar satisfazer algumas das reivindicações feitas ao Ministério da
Saúde pelos vários sindicatos.