Sindicato alerta para fraglidades no controlo de fronteiras no aeroporto de Ponta Delgada
Hoje 11:22
— Lusa/AO Online
"A saída de
oito inspetores da Polícia Judiciária (PJ), que asseguravam funções de
controlo de fronteiras, em colaboração com a Polícia de Segurança
Pública (PSP), no aeroporto de Ponta Delgada, veio revelar um cenário
grave”, segundo o SIAP.Em comunicado, a
estrutura sindical sustenta que a situação “era previsível há pelo menos
seis meses", mas "não foi acautelada pela Direção Nacional da PSP ou
por quem a tutela".“Não são apenas oito elementos que saem, é uma fronteira que fica em risco operacional”, alerta o SIAP.Apesar
da existência de polícias com formação específica para o controlo de
fronteiras, já preparados para colocação, o sindicato sustenta que “a
escassez de efetivos na PSP impede a necessária reorganização de
recursos” para esta missão.O sindicato
denuncia ainda que “não foi colocado um único polícia para colmatar esta
lacuna, mantendo-se a prioridade em Lisboa, Porto e Faro, enquanto os
Açores continuam a ser deixados para segundo plano, com a complacência
do Governo Regional dos Açores”.O SIAP
acusa o executivo açoriano de não ter cumprido “o que
prometeu em plena campanha eleitoral” de reforço de efetivos, nem ter
exigido soluções “após as eleições”.Paralelamente,
o SIAP denuncia alegados problemas com a introdução de um novo sistema
informático implementado no controlo de fronteiras, que se revelou
“ineficaz” e “repleto de erros e com um processamento demasiado lento
por passageiro", o que resultou "num aumento dos tempos de controlo".“A
falta de polícias só agravará esta situação, com o inevitável aumento
de espera, constrangimentos na operação aérea e passageiros retidos nas
aeronaves (fruto de uma área internacional desadequada ao fluxo atual),
com impacto direto na atratividade turística da Região, já fragilizada
pela saída e ausência de novas companhias aéreas”, aponta.De
acordo com o sindicato, "este cenário expõe, mais uma vez, uma
realidade ainda mais preocupante", ou seja, "o Estado não consegue
atrair candidatos para a instituição PSP"."E,
mesmo com a redução significativa dos critérios de admissão e com um
investimento sem precedentes em campanhas de recrutamento, os resultados
continuam aquém", sustenta.No terreno, o
cenário são “esquadras desertas de efetivo, polícias exaustos, muitos já
em ‘burnout’, e uma escassez estrutural”, numa instituição que, segundo
a estrutura sindical, “acumula cada vez mais responsabilidades, sem o
correspondente reforço de meios”.