Sindicato alerta para "agravamento" da falta de professores nos Açores
14 de set. de 2022, 14:27
— Lusa/AO Online
“Neste
momento, já não estamos numa questão de ser o grupo A, B ou C. É [a
disciplina de] Informática, é Físico-Química, é História. Há uma série
de grupos disciplinares que já têm grandes dificuldades. A falta de
professores agravou-se face ao ano letivo anterior e é já transversal às
diferentes ilhas, inclusivamente, em escolas dos maiores centros
urbanos", denunciou o presidente do SDPA, António Fidalgo.O
dirigente sindical falava numa conferência de imprensa em Ponta
Delgada, onde assinalou “a gravidade incontornável da carência de
professores com habilitação profissional para suprir as necessidades"
das escolas.“É geral e irá a agravar-se,
porque o número de alunos que entraram em cursos universitários via
ensino tem sido residual”, apontou.António
Fidalgo adiantou que "mesmo nas escolas em Ponta Delgada", a maior
cidade dos Açores, existem alunos que "neste momento não têm professores
em várias disciplinas"."Nesse momento, a falta não é só nas ilhas mais pequenas", vincou o presidente do SDPA.Segundo
António Fidalgo, "assumiu-se que haveria candidatos a todas as vagas
disponibilizadas, o que, na verdade, não aconteceu", referindo que
"ultimamente" há "cada vez menos pessoas nas listas a concurso".De
acordo com o sindicato, "no Concurso de Oferta de Emprego para
Contratação a Termo Resolutivo foram colocados 587 docentes (365
colocados a 24 de agosto, 204 em 07 de setembro e 18 a 09 de
setembro)". "Já na colocação de 24 de
agosto, o sindicato referiu que "ficaram por ocupar 52 vagas, por falta
de candidatos, correspondente a cerca de 12% do total de vagas
disponibilizadas", adiantou o sindicato. António
Fidalgo referiu também que, "no ano letivo 2022/2023, a tutela recorreu
a 587 docentes contratados a termo resolutivo, no entanto, vinculou
apenas 143 docentes, eternizando assim a condição de precariedade
laboral dos docentes" na Região."O cenário
atrás descrito, e por se terem esgotado a totalidade de candidatos ao
Concurso de Oferta de Emprego para Contratação a Termo Resolutivo da
Direção Regional Educação (DRE), obrigou à disponibilização na Bolsa de
Emprego Público dos Açores (BEPA), ainda antes do início das atividades
letivas, de 84 horários, sendo 51 completos e anuais", indicou. António
Fidalgo criticou a "desvalorização" da carreira docente, fruto de
"medidas erradas" tomadas pelos Governos da República e Regional."Temos
cada vez menos candidatos que querem seguir a carreira e, nas
universidades, os alunos não procuram as licenciaturas, nem os mestrados
via ensino. Chegamos a uma situação em que os professores começam a
escassear, havendo um corpo docente cada vez mais envelhecido que tem
assegurado as necessidades na Região", sustentou.A
pouca atratividade da carreira docente, com um salário "quase de
miséria", foi também apontada como consequência para a falta de
professores.Para o SDPA, a "primeira
medida essencial é a criação de quadros de escola" e posteriormente a
criação de incentivos quer a nível fiscal, como no apoio à deslocação e
ao arrendamento, ou até compra de casa para fixar professores nas ilhas.Por
outro lado, o SDPA disse que está "a acompanhar, atentamente", a
implementação da adoção dos manuais digitais nos 5.º e 8.º anos,
considerando "urgente" que as unidades orgânicas distribuam equipamentos
"não só aos alunos, mas também aos docentes" abrangidos pela medida.