Sindicato alerta para “abandono silencioso” da PSP nos Açores
5 de jan. de 2026, 18:32
— Lusa/AO Online
O sindicato apontou como exemplo recente o anúncio do reforço de novos
agentes para a Polícia Municipal do Porto e o envio de um contingente
extra de elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) para o
Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, para gestão de fluxos de
passageiros."Enquanto o território
continental beneficia de reforços musculados, os Açores enfrentam um
défice crónico de efetivos que compromete a operacionalidade básica e a
segurança das populações. O abismo entre o continente e a Região
Autónoma é hoje mais evidente do que nunca", considerou o sindicato em
comunicado assinado pelo presidente do SINAPOL-Açores, António Santos.Segundo
o sindicato, nos Açores "os anúncios políticos não passam de intenções
sem qualquer tipo de concretização, apesar dos apelos transversais de
todo o espetro político por um reforço imediato", lamentando que a
região esteja "remetida ao esquecimento estrutural".De
acordo com o SINAPOL, a realidade no terreno "é crítica" nos Açores,
onde o contingente regional representa "apenas cerca de 5% do efetivo
total da PSP".Por outro lado, o sindicato
chamou a atenção para o facto de as esquadras estarem “a operar no
limite da exaustão", com impacto na fiscalização rodoviária e o
policiamento de visibilidade.O SINAPOL
sublinhou que "o esforço" dos agentes permitiu operações de sucesso em
2025, mas alertou que "a falta de meios humanos torna a prevenção
rodoviária e criminal insustentável a longo prazo".O
sindicato questionou por que razão "a agilidade política demonstrada
para resolver filas em aeroportos ou reforçar autarquias no continente
não se aplica à continuidade territorial"."A
segurança é um direito fundamental, quer se viva na Avenida dos Aliados
ou numa freguesia da ilha do Corvo. Ignorar a urgência de preencher as
vagas no Comando Regional dos Açores é aceitar que existem cidadãos de
primeira e de segunda no acesso à proteção do Estado", sublinhou.Para 2026, o SINAPOL-Açores assegurou que "não reclama privilégios, mas sim equidade"."A
segurança dos açorianos não pode continuar a ser sacrificada em nome de
conveniências políticas de grandes centros urbanos", acrescentou o
SINAPOL-Açores.