Sindepor pede mais investimento para a área da enfermagem

Hoje 09:23 — Lucas Rebelo

A direção regional dos Açores do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) apela para que haja um “investimento continuado em recursos humanos” na área da enfermagem.As declarações do sindicato surgem após os dados divulgados pelo Observatório de Enfermagem do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), que mostram que, no final de 2025, as despesas com trabalho extraordinário de enfermagem atingiram os cerca de 3,58 milhões de euros.Perante estes valores, a Sindepor considera que a “discussão sobre os problemas do Serviço Regional de Saúde não pode continuar centrada exclusivamente na tutela da Saúde”.Segundo nota de imprensa, o sindicato refere ser “fácil” exigir à Secretaria Regional da Saúde que “reduza listas de espera, aumente a atividade assistencial, contrate profissionais, melhore as condições de trabalho e garanta respostas de proximidade em nove ilhas”.“Mais difícil é garantir-lhe os recursos financeiros necessários para o fazer”, indica a nota de imprensa.Deste modo, a Sindepor refere existir uma “responsabilidade fundamental” ao nível das finanças, destacando também as opções orçamentais do Governo Regional, afirmando que são nestes campos em que se “define quanto dinheiro é disponibilizado para cada setor”.“Não podemos exigir resultados à saúde e, simultaneamente, limitar os instrumentos financeiros necessários para os alcançar”, deixa claro  o sindicato.Apesar das críticas, a Sindepor realça a existência de um “instrumento que permita conhecer melhor a realidade das equipas, fundamentar necessidades e apoiar decisões de gestão”, referindo-se ao Observatório de Enfermagem.O “observatório permite identificar necessidades e fundamentar soluções”, salienta o sindicato, referindo que a “proposta apresentada para a admissão de 25 novos enfermeiros generalistas, bem como para a regularização de 10 enfermeiros especialistas e 10 enfermeiros gestores” acaba por ser um sinal de reconhecimento dessas necessidades.A organização considera estas medidas “positivas”. Contudo, é deixado um aviso: “identificar uma necessidade não significa que existam automaticamente os recursos financeiros necessários para lhe dar resposta. E é precisamente aqui que entendemos que deve começar uma discussão mais ampla”.“Não se contratam enfermeiros sem orçamento. Não se reforçam equipas sem orçamento. Não se recuperam listas de espera sem recursos. Não se melhora continuamente a resposta assistencial sem investimento”, afirma a Sindepor, apontando que a “saúde dos açorianos  não pode continuar condicionada pelo que sobra depois das restantes opções orçamentais”.