SIGA promete "bater à porta" de federações e governos por integridade desportiva
29 de jan. de 2025, 09:42
— Lusa/AO Online
“Não
pedimos favores, não fazemos favores. Dizemos as coisas como são e
somos certos, construtivos, estenderemos a nossa mão e colaboraremos.
Nunca nos verão criticar ninguém abertamente e não porque não tenhamos
uma opinião, mas porque não se apanham moscas com vinagre. Vou bater à
porta de toda a gente. Baterei à porta de Gianni Infantino, Aleksander
Ceferin, dos presidentes da CONMEBOL, CONCACAF, AFC e dos governos e vou
certamente bater à porta dos maiores patrocinadores”, prometeu, na
conclusão do FITS Forum 2025, que se realizou nas instalações da PwC
Portugal, em Lisboa.O dirigente português,
responsável pela SIGA (Sport Integrity Global Aliance) e SIGA Europe,
exigiu “reformas que são duras, mas necessárias” para legislar medidas
contra problemas que ameaçam a verdade desportiva e a transparência.“Em
outubro de 2022, tínhamos 290 fundos de investimento a operar na
plenitude no futebol europeu. Quantos temos agora? Quem pode dizer? Para
que se seja claro e não existam dúvidas: não tenho dogmas e nada contra
fundos de investimento, mas a verdade tem de prevalecer: quem são estes
fundos de investimento? Quem são os seus verdadeiros proprietários e
beneficiários?”, questionou, com preocupação.Emanuel
Macedo de Medeiros recordou ainda o escândalo ‘FIFAgate’, no seguimento
do qual foram detidos o ex-presidente da CONCACAF, e sete funcionários
da FIFA, em 2013, que centrou um fórum de discussão que contou com a
participação de Richard Weber, na altura chefe da Divisão de
Investigação Criminal de IRS e do Departamento do Tesouro dos EUA, que
se pronunciou sobre os casos de corrupção e fraude fiscal com que se
deparou, considerando vital “mudar leis”.No
final da sessão, o norte-americano foi galardoado com um prémio de
integridade e anti corrupção atribuído igualmente de forma póstuma a
Marcelo Pecci, promotor de justiça paraguaio que foi assassinado em 2022
e que foi alvo de homenagem dos presentes.O
evento, que teve pouco mais de quatro horas de duração, contemplou
temas subordinados à integridade financeira e transparência no desporto,
colaboração internacional relativamente à denúncia desse tipo de casos
ou a relevância das iniciativas privadas para salvaguardar o desporto,
que contou com personalidades oriundas de diversos países e
organizações.Instituições de ordem
desportiva como a FIFA ou a World Aquatics, policial, como a Polícia
Judiciária, de Portugal, ou a Guardia di Finanza, de Itália, e também de
cariz financeiro ou comercial, como a PwC Portugal ou a True Clinic,
juntaram-se à SIGA num fórum que juntou um vasto rol de oradores em prol
de valores de integridade no desporto internacional.