SIGA lembra FIFA que a confiança no desporto exige “escrutínio independente”
Hoje 10:08
— Lusa/AO Online
A Sport Integrity Global Alliance (SIGA) considerou que “a confiança no desporto exige escrutínio independente”,
referindo-se à “crise de governação” da FIFA e as suas implicações mais
amplas para o futebol e para o desporto.“As questões levantadas são
graves. Tocam no âmago da responsabilização institucional, da
transparência, da consulta e da confiança. Embora o foco imediato seja a
FIFA, as questões em causa estendem-se a todo o sistema do futebol e ao
ecossistema mais vasto do desporto”, sublinha o organismo, em
comunicado após reunião extraordinária.Em causa os sucessivos
escândalos que têm abalado a FIFA, entre os quais o de pretender vender
parte dos direitos comerciais do Mundial a entidades privadas, plano que
abortou perante a indignação generalizada, que inclusivamente tem
questionado a recandidatura do presidente Gianni Infantino nas próximas
eleições do organismo.O plano previa a criação da FIFA Forward
Enterprise, uma subsidiária destinada a gerir os ativos comerciais e
eventos da FIFA, incluindo o Campeonato do Mundo, com a venda de 20% do
capital a investidores privados.A SIGA, cujo diretor-executivo é o
português Emanuel Macedo de Medeiros, apela à FIFA para que “realize
voluntariamente uma revisão independente dos seus processos de
governação e de tomada de decisão, como demonstração do seu compromisso
com os mais elevados padrões de governação, transparência e prestação de
contas”.“Essa revisão avaliaria a eficácia do quadro de governação
da FIFA, identificaria os pontos fortes e fracos institucionais e
forneceria recomendações claras e baseadas em evidências para a
reforma”, sublinha a instituição, que manifestou a sua “disponibilidade
para apoiar esse processo”.Os participantes na reunião da SIGA
apelam a que o escrutínio independente e a certificação se tornem a
norma não só em todo o futebol, como no desporto em geral.Segundo a
instituição, este princípio deve aplicar-se à FIFA, às confederações
continentais, às federações nacionais de futebol, às ligas, aos clubes e
a todas as outras organizações desportivas, “permitindo que cada uma
demonstre que é gerida e opera de acordo com os mais elevados padrões”.Em
contraponto com o que observam na FIFA, os participantes reafirmaram a
abordagem “independente, imparcial e cooperativa” da SIGA que,
asseguram, “continuará a ser orientada para soluções”, num percurso de
“ações que continuarão a ser pautadas pela integridade no desporto, pela
boa governação e pela prestação de contas”.“A confiança do público
não pode assentar na autoavaliação ou na revisão por pares. Exige um
escrutínio genuinamente independente e uma certificação credível”,
sublinha-se.A SIGA entende que os seus Padrões Universais de
Integridade no Desporto constituiriam “a referência para a revisão” dos
procedimentos na FIFA e no desporto em geral. Considera ainda que a
implementação de quaisquer reformas daí resultantes poderia
posteriormente ser avaliada e certificada de forma livre através do
Sistema Independente de Classificação e Verificação da SIGA (SIRVS).“A
confiança é o bem mais valioso do desporto. Não pode ser assumida,
proclamada nem tomada como garantida. Deve ser conquistada, demonstrada e
protegida”, conclui a entidade.