Sete em cada dez empresas discordam da semana de quatro dias
20 de jan. de 2025, 11:46
— Lusa/AO Online
Elaborado pela
Associação Industrial Portuguesa – Câmara de Comércio e Indústria
(AIP-CCI) e referente ao quarto trimestre de 2024, o “Inquérito de
Contexto Empresarial sobre o Mercado Laboral” indica ainda que 70% das
empresas defendem que matérias laborais como carreiras, benefícios,
remunerações complementares ou limites de horas extraordinárias deveriam
ser concertadas no interior das empresas e não em sede de Contrato
Coletivo de Trabalho (CCT).Relativamente
ao banco de horas individual, 71% das empresas inquiridas dá parecer
favorável e, destas, 74% entende que deveria ser fixado por acordo
dentro da empresa, em vez de nas convenções coletivas de trabalho. Segundo nota a AIP, entre as empresas que mais defendem esta concertação interna estão as pequenas e médias empresas.Já
em termos de modelo de trabalho, 81% das 523 empresas participantes
dizem praticar trabalho presencial, 17% um modelo híbrido e 2%
teletrabalho. Entre as que adotaram um modelo híbrido ou remoto, 73%
afirmam que tal contribuiu para uma melhoria da produtividade e 84%
consideram manter este modelo.Quando
questionadas sobre o Salário Mínimo Nacional (SMN), 83% das empresas
concordam com a sua existência, ainda que 65% entendam que não deve ser
encarado como um instrumento de redistribuição de riqueza. Entre
as que consideram que o SMN deve ser um instrumento com este fim, 45%
diz que deveria ser a sociedade a suportá-lo, através de impostos
negativos nos rendimentos mais baixos, enquanto as restantes 55%
defendem que deveria ser suportado pelos custos de exploração das
empresas.Relativamente ao valor de 1.020
euros mensais projetados para o SMN até ao final da atual legislatura,
mais de metade (56%) das empresas inquiridas apontam que é suportável
pela conta de exploração das empresas, embora 95% desconheça algum
estudo que aponte o seu setor de atividade como tendo capacidade para o
financiar.Para 65% das empresas, a fixação anual do salário mínimo deveria estar dependente da evolução da produtividade.Quando
questionadas sobre a autodeclaração de doença, 55% das empresas
manifestou-se contra, apesar de 89% assinalar que nunca registou um caso
destes ou que estes são muito pouco frequentes. No
que respeita ao designado “direito a desligar”, metade das empresas
defende-o e outras tantas discordam, sendo que entre as que apresentam
maior taxa de rejeição à implementação desta medida estão, sobretudo, as
médias e microempresas. Já quanto a sua comunicação à ACT, 86% das empresas discordam deste procedimento.O
inquérito da AIP-CCI foi realizado entre 12 de outubro e 11 de novembro
de 2024 junto de 523 sociedades comerciais de todo o país (24% do
Norte, 32% do Centro, 26% da Área Metropolitana de Lisboa, 12% do
Alentejo, 3% do Algarve e 3% das ilhas).A
indústria representou 47% da amostra, seguida pelos serviços (26%),
comércio (14%), construção (7%), agricultura (3%), alojamento e
restauração (2%) e transportes e armazenagem (1%), sendo que 3% eram
grandes empresas, 8% médias, 45% pequenas e 44% microempresas. Da totalidade da amostra, 49,01% são empresas exportadoras.