Sentimento de pertença deve ser alimentado - Presidente do Governo dos Açores
28 de out. de 2017, 11:04
— Lusa/AO Online
"Esta questão tem dois grupos fundamentais, aqueles que privilegiam a
forma ou a ausência dela em detrimento da questão de substância e os
outros que acham que basta a questão de substância, não se preocupando
com a forma para que possam levar adiante o seu intento", começou por
dizer aos jornalistas Vasco Cordeiro, na Ribeira Grande, ilha de São
Miguel, onde acompanhou o Presidente da República no âmbito da
deslocação que Marcelo Rebelo de Sousa está a fazer ao grupo oriental do
arquipélago dos Açores. Para
o chefe do executivo açoriano, "só quando essas condições estiveram
reunidas é que do ponto de vista de funcionamento da própria democracia
estão reunidas as condições para que o assunto não peque por não ter em
consideração toda a sua envolvência". Considerando que há leis e
procedimentos que devem ser seguidos, o governante adiantou que há,
também, "uma matéria, uma vontade que não é eliminada apenas com a
invocação de questões de forma". "O que gostaria de salientar é
que é muito importante que neste trabalho de fazer as partes sentirem-se
integrantes do todo haja um permanente cultivar dessa identidade, dessa
relação, como por exemplo esta visita do senhor Presidente da República
e muito bem faz - ressalvadas as devidas distâncias, obviamente -- em
relação à forma como os açorianos se podem sentir também parte do todo",
continuou. Segundo Vasco Cordeiro, é importante "ter a
consciência de que este entendimento da parte se sentir integrante do
todo não é inevitável". "É preciso cultivá-lo, criar as condições
permanentemente para que, do ponto de vista do respeito, pelas
especificidades, do ponto de vista da consideração daquelas que são as
ambições, as vontades, se possa criar este sentido e este cimento de
unidade", referiu. Adiantando tratar-se "de um assunto interno de
Espanha", Vasco Cordeiro opinou não lhe parecer que "as coisas estejam a
seguir um caminho do qual possa resultar algo de bom e de positivo", o
que "lamenta profundamente". "Compreendendo os argumentos de
ambas as partes, uns ancoram-se na forma ou na ausência dela, outros
acham que basta a substância para o assunto ficar resolvido, as regras
da democracia não são assim na minha perspetiva e o que me parece neste
momento de salientar é a consciência de que não é inevitável que haja
sempre um perfeito entendimento, ele deve ser cultivado, ele deve ser
alimentado, ele deve ser nutrido nesse sentimento de pertença". O
parlamento regional catalão aprovou na sexta-feira a independência da
Catalunha, com 70 votos a favor, 10 contra e dois votos em branco. Pouco
depois, o senado de Espanha autorizou, por maioria absoluta, o governo
de Madrid a aplicar o artigo 155.º da Constituição, que suspende a
autonomia da região.