Senhor Santo Cristo leva multidão a lugar da ilha de São Jorge com 10 moradores
2 de set. de 2025, 17:49
— Lusa/AO Online
“A festa do Senhor Santo Cristo
da Caldeira, que acontece sempre no primeiro domingo de setembro, traz
imensa gente aqui à Caldeira do Senhor Santo Cristo”, disse à agência
Lusa o padre Dinis Silveira, pároco na ilha açoriana de São Jorge.Segundo
o sacerdote, a festividade anual que se realiza na pequena localidade
que pertence à freguesia de Ribeira Seca, no concelho da Calheta,
começou na segunda-feira, “com o tríduo de preparação para a festa”,
onde as pessoas se confessam, há oração do terço e celebração da missa.Na
quinta-feira, começa também a parte profana da festa e, depois, no fim
de semana, “a ilha cai em peso” na Fajã da Caldeira do Santo Cristo.Entre
os devotos estão pessoas que se deslocam das ilhas vizinhas (Pico e
Faial), “de maneira que é uma festa bastante participada”.A
festa do Senhor Santo Cristo da Caldeira “é a grande festa do fim do
verão” em São Jorge, disse, indicando que a igreja local é também
santuário diocesano e igreja jubilar.Na localidade vivem em permanência “entre oito a dez pessoas”, mas nesta altura do ano os visitantes são muitos.“As
pessoas preparam-se, também recebem familiares e amigos aqui na
Caldeira. São dias muito intensos, dias muito bonitos. Aqueles que vivem
na Caldeira recebem aqueles que vêm lá de fora. A Caldeira torna-se um
pouco uma pequena grande aldeia aqui em São Jorge”, relatou o sacerdote.E
continuou: “De facto, é um sítio extraordinário, onde só se consegue
chegar ou de moto quatro ou então a pé, porque o carro fica a quatro
quilómetros aqui da Caldeira, e é preciso fazer o trilho. É um sítio
absolutamente extraordinário, tocado pela mão de Deus. A natureza é
lindíssima […]. É, de facto, um sítio extraordinário e a população vive
nestes dias com muita alegria”.Dinis
Silveira adiantou ainda à Lusa que, a partir de quinta-feira, “grupos
imensos de pessoas” encaminham-se para o local a pé, para pagarem
promessas, sendo que alguns devotos caminham descalços, e outros levam
gado, que é depois leiloado no domingo de manhã, na festa”.“Isso é uma coisa absolutamente incrível”, admitiu o sacerdote, que participa e colabora na celebração festiva há oito anos.Na sua opinião, a festa “é um marco, tanto na parte religiosa, como também na parte social” da ilha açoriana de São Jorge.Segundo
o sítio Igreja Açores, o Núncio Apostólico nos Camarões e Guiné
Equatorial, José Avelino Bettencourt, natural da ilha de São Jorge,
preside este ano à festa do Senhor Santo Cristo da Caldeira.O
programa das festividades também contempla a realização de um almoço
comunitário, no sábado, que inclui a partilha das tradicionais sopas.O
local, que em julho recebeu a Aldeia da Esperança, promovida pelo Grupo
Coordenador do Jubileu da Diocese de Angra, com a participação de cerca
de 300 jovens, também voltará a contar com a presença da juventude.A
devoção ao Senhor Santo Cristo da Caldeira “remonta a uma lenda local,
segundo a qual a imagem teria sido encontrada por um pastor a flutuar
numa lagoa”, de acordo com o portal Igreja Açores.“Repetidamente
levada para o povoado, regressava sempre, de forma misteriosa, ao lugar
da fajã. ‘O Santo Cristo quer estar lá em baixo na caldeira’, terá dito
a população, dando origem a um culto que atravessou séculos e continua a
marcar a identidade espiritual da ilha”, concluiu.A
festa religiosa do Santo Cristo é celebrada em várias ilhas dos Açores
(São Miguel, Santa Maria, Graciosa, São Jorge e Flores), no continente e
na diáspora.