Senado dos EUA aprova cortes de nove mil milhões de dólares em radiodifusão e ajuda externa
17 de jul. de 2025, 17:13
— Lusa/AO Online
A
legislação, que agora segue para a Câmara dos Representantes (câmara
baixa do Congresso), terá pouco impacto na dívida do país, mas poderá
ter grandes efeitos no orçamento da Corporação para Radiodifusão Pública
(CBP, na sigla inglesa) e na ajuda alimentar externa fornecida pelos
Estados Unidos (EUA).Os cortes na
radiodifusão serão de 1,1 mil milhões de dólares (cerca de 949,3 milhões
de euros, ao câmbio atual) que seriam canalizados pela CBP para a
estação pública de rádio, NPR, e o canal de televisão público, PBS.O valor cortado às estações seria suficiente para financiá-las durante dois anos.Num
comunicado divulgado momentos após a votação, a diretora-geral da rádio
pública NPR, Katherine Maher, apelou à Câmara dos Representantes para
que "rejeite esta eliminação dos meios de comunicação social públicos,
que prejudica diretamente as respetivas comunidades e constituintes e
pode muito bem colocar vidas em risco". Dos
nove mil milhões de dólares, sete mil milhões (cerca de seis mil
milhões de euros) vão afetar vários programas de ajuda externa, com
alguns membros republicanos do Senado a discordar destes cortes.Uma
das iniciativas afetadas trata-se da PEPFAR, o Plano de Emergência do
Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da Sida, criado pelo antigo
presidente republicano George W. Bush. Russ
Vought, diretor do Gabinete de Gestão e Orçamento, afirmou que a
aprovação iminente de um novo pacote de cortes nas despesas demonstra
“entusiasmo” em controlar a situação fiscal do país.“Estamos felizes por nos esforçarmos ao máximo para conseguirmos fazer isto”, disse.Em
resposta a perguntas sobre a dimensão relativamente pequena dos cortes –
nove mil milhões de dólares (na ordem dos 7,7 mil milhões de euros) -
Vought disse que isso se deve ao facto de “saber que seria difícil” de
aprovar no Congresso um valor mais elevado, e que estão previstas mais
reduções de verbas. É “provável que venha outro pacote de rescisões em breve”, disse Vought.O
presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson,
afirmou, por sua vez, que é necessário “voltar à sanidade fiscal”e que
este é “um passo importante”."Não podemos
gastar os fundos dos contribuintes no estrangeiro, envolvendo-nos em
todo o tipo de atividades nefastas. É para isso que serve este pacote de
rescisões, para acabar com isso", acrescentou Johnson.A votação de
51-48 aconteceu depois de os democratas terem tentado eliminar múltiplas
das propostas de redução durante as 12 horas de votação de alterações.Nenhumas das propostas de alteração democratas foram adotadas.