Senado da Argentina aprova reforma do Estado proposta pelo Presidente Milei
13 de jun. de 2024, 12:24
— Lusa/AO Online
A
proposta foi aprovada com 37 votos a favor e 36
contra, após 11 horas de debate, mas os legisladores ainda terão de
aprovar os 238 artigos individualmente, numa votação que se deverá
prolongar pela madrugada.“Para os
argentinos que sofrem, que esperam, que não querem ver seus filhos
saírem do país (...), o meu voto é afirmativo”, declarou a líder do
Senado e também vice-presidente do país, Victoria Villarruel, cujo voto
foi decisivo para o desempate.O projeto de
lei conhecido por “omnibus”, a lei emblemática do Governo do economista
ultraliberal Milei, irá de seguida regressar à câmara baixa do
parlamento da Argentina, a Câmara dos Deputados, para uma nova votação.A
Câmara dos Deputados aprovou em abril uma segunda versão da proposta,
com 238 artigos e grandes alterações, dois meses depois de rejeitar a
versão original, que tinha cerca de 600 artigos.A
legislação dá amplos poderes ao Presidente em áreas como a energia,
pensões, segurança e inclui incentivos fiscais durante 30 anos a
investidores estrangeiros, uma amnistia fiscal para argentinos com
ativos não declarados no exterior e fim de tarifas de importação.Os
sindicatos argentinos também manifestaram oposição veemente à reforma
das leis laborais que tornariam mais fácil para as empresas despedir
funcionários, bem como aos planos de privatização de algumas empresas
estatais.O debate no Senado ficou marcado
por violentos confrontos entre as forças policiais e milhares de
manifestantes em Buenos Aires, que começaram quando os manifestantes
tentaram ultrapassar as barreiras de segurança montadas à volta do
parlamento.Sete pessoas, incluindo cinco
deputados, foram hospitalizadas, devido ao gás lacrimogéneo, indicou o
Ministério da Saúde argentino em comunicado. Pelo menos 20 agentes
ficaram feridos, disse a polícia.Durante
os confrontos, diversos carros foram incendiados e a polícia ripostou
com balas de borracha e jatos de água para dispersar os manifestantes.
Pelo menos 14 pessoas foram detidas.Ao
contrário dos anteriores líderes argentinos desde o regresso da
democracia em 1983, o partido de Milei conta com uma minoria do
parlamento e por isso não conseguiu aprovar uma única lei durante os
primeiros seis meses no cargo.Por isso, o
novo Presidente tem preferido aplicar o poder executivo para reduzir os
gastos do Estado e eliminar restrições e regulações económicas.