Sem data para reunir com a tutela, Fenprof começa a discutir hipótese de greve
13 de nov. de 2020, 16:11
— Lusa/AO Online
O
aviso já tinha sido feito na semana passada, quando na sexta-feira o
secretário-geral da Fenprof deu até ao dia de hoje para a tutela agendar
uma primeira reunião com a estrutura sindical, assegurando que se isso
não acontecesse estaria em frente ao edifício do ministério para dar uma
última oportunidade.A promessa foi
cumprida e hoje Mário Nogueira fez-se acompanhar de dezenas de delegados
e dirigentes sindicais para voltar a pedir que, no mínimo, fosse
marcada a tal reunião, ainda para o mês de novembro, mas saiu de agenda
em branco.“Fomos informados que não há
nenhuma data marcada para reunir e, portanto, achamos que já começa a
não valer muito a pena dar confiança a um ministro destes que não
respeita ninguém”, disse à saída do Ministério da Educação.Em
declarações à Lusa, o secretário-geral da Fenprof sublinhou que desde a
última reunião negocial com a tutela, em janeiro, aconteceu muita coisa
que importa voltar a discutir.“Nós
tivemos uma reunião há 10 meses com o Ministério da Educação e daí para
cá passaram-se muitas coisas. Entre outras, estamos a discutir na
Assembleia da República o Orçamento do Estado [para 2021]” explicou.Na
ausência de uma resposta positiva da tutela, a Fenprof vai agora passar
a bola ao primeiro-ministro, António Costa, naquilo que explica ser um
último esforço para desbloquear o processo negocial, mas entretanto vai
lançar hoje um inquérito para auscultar os professores sobre outras
formas de luta.No questionário, que
pretende também reunir a opinião dos docentes sobre outros aspetos de
natureza pedagógica, socioprofissional e relacionados com a segurança
sanitária nas escolas, estão colocadas três opções de protesto:
petições, greve e uma grande manifestação nacional, sendo esta última a
menos provável.“Sabendo nós que as grandes
manifestações hoje são mais difíceis, se calhar começa a ganhar figura a
necessidade de os professores dizerem da sua insatisfação e da sua
indignação com o que se passa recorrendo à greve”, afirmou Mário
Nogueira.A decisão da Fenprof deverá ser
anunciada depois de serem conhecidos os resultados do inquérito, em 25
de novembro, ou ainda antes, depois da reunião da direção nacional, se
já houver um número de respostas consideráveis.A avançar, a greve acontecerá já em dezembro, ainda antes do final do primeiro período letivo em 18 de dezembro.No
encontro que esperava ter ainda este mês com a tutela, os
representantes dos professores queriam discutir as quatro propostas
negociais entregues em 08 de outubro, que legalmente dariam início aos
respetivos processos negociais, sobre a regularização da carreira
docente, a aposentação dos docentes, a revisão do regime legal de
concursos e os horários e outras condições de trabalho.No
entender de Mário Nogueira, estes são problemas aos quais a tutela não
está a conseguir dar resposta e mesmo na proposta de Orçamento do Estado
para 2021 estão previstos objetivos como o rejuvenescimento da classe
docente e a atratividade da profissão, mas sem medidas concretas.“Bastava
que [o ministro Tiago Brandão Rodrigues] tivesse um pingo de sensatez e
de democracia que lhe permitisse perceber que há outros além dele que
também têm ideias, têm opiniões, têm propostas para apresentar e que
podem ser a solução, ou pelo menos, atenuar alguns problemas”, afirmou.O
dirigente sindical apontou ainda outros dois problemas urgentes,
designadamente a falta de professores nas escolas, adiantando que na
quinta-feira havia quase 500 horários por preencher, e a situação
epidemiológica, denunciando que hoje já tinham sido identificadas cerca
de 750 com casos positivos de covid-19 e cerca de 200 docentes
infetados.