Seleção Nacional está “na mira” do atirador Mateus Jorge em 2027
Hoje 10:11
— Arthur Melo
Há paixões que se herdam e a de Mateus Jorge chegou-lhe do pai, caçador e armeiro, que cedo o levou para o mundo das armas, das munições e dos campos de tiro. Aos 14 anos, o jovem micaelense começou a praticar tiro aos pratos e quatro anos depois está a um passo de vestir as cores de Portugal e ostentar as “quinas” ao peito. O convite surgiu durante o 5.º apuramento para o Campeonato do Mundo de tiro aos pratos, disputado em Mira.Custódio Ezequiel, o selecionador nacional de fosso olímpico, já seguia as prestações do jovem açoriano, gostou do que viu e perguntou-lhe se queria tentar o acesso à seleção.“Para o ano estarei na seleção”, afirma Mateus Jorge ao Açoriano Oriental, com a confiança de quem sabe o que vale, mas também com a consciência do trabalho que falta fazer.O currículo do jovem atleta do Clube Desportivo de Tiro de São Miguel (CDTSM)já é extenso. Em 2024, sagrou-se campeão nacional da Taça de Portugal. É tetracampeão açoriano de juniores e, por várias vezes, conquistou o título de campeão de São Miguel. Nos últimos campeonatos regionais ficou com o segundo lugar, tanto no Pico como em São Miguel, na modalidade de fosso olímpico.Quatro provas no continenteO processo de seleção ainda depende do calendário oficial da Federação Portuguesa de Tiro com Armas de Caça para 2027, que Mateus Jorge ainda não conhece. Em princípio, o atirador micaelense vai ter de disputar no continente quatro provas nacionais obrigatórias para depois aspirar a uma competição internacional. A distância é, por isso, um desafio logístico. Ainda assim, Mateus Jorge não encara este fator como um obstáculo.O facto de o pai ser armeiro garante-lhe o acesso a equipamento, cartuchos e todo o material necessário, algo que, fora de um contexto familiar assim, pode pesar no orçamento de um jovem atleta. E enquanto o pai trata de tudo, a disponibilidade para treinar também não falta.Neste momento, Mateus Jorge treina, sobretudo, ao sábado e ao domingo nas instalações do CDTSM. Em época de competição junta-lhe duas ou três sessões durante a semana, mas com a seleção nacional no horizonte o plano vai ter de mudar.“Vou ter de treinar mais três ou quatro vezes, para além de sábado e domingo”, explica, sublinhando que a partir de agora “tenho de treinar o dobro para ser melhor do que já sou”.Mateus Jorge reconhece que tem boas possibilidades, descrevendo-se como um atirador que “atira relativamente bem”, mas sem deixar de olhar para a exigência da fase competitiva que aí vem.Para o jovem atirador da ilha de São Miguel, a sua presença nas competições nacionais tem também um valor que ultrapassa o resultado desportivo.Mateus Jorge acredita que pode inspirar outros jovens a descobrir o tiro, uma modalidade que, admite, muita gente desconhece e que por vezes carrega uma imagem negativa. A resposta é simples: “É apenas um desporto como todos os outros, só que é praticado com armas de fogo”, realça.Entretanto, e se tudo correr como espera, 2027 poderá ser o ano em que um atirador de São Miguel passa a representar Portugal. Para Mateus Jorge, seria muito mais do que uma conquista pessoal; seria a prova de que, mesmo a meio do Atlântico, é possível chegar à elite nacional do tiro.