Seleção de andebol vive momento sensível mas vai lutar por difícil qualificação
Tóquio2020
9 de mar. de 2021, 16:36
— Lusa/AO Online
“Por nós
e por ele [Alfredo Quintana]” é o mote de Paulo Pereira para o torneio
olímpico de qualificação, frente às seleções de França, Croácia e
Tunísia, de sexta-feira a domingo, em Montpellier, e que apura os dois
primeiros para Tóquio2020.Paulo Pereira
abordou o momento de enorme emotividade que a seleção atravessa, com a
perda de um dos seus pilares, e reconhece que “é necessário fazer
alquimia”, nos quatro treinos de que dispõe antes da prova, para
“consolidar a equipa, adaptá-la ao jogo dos adversários e melhorar
detalhes”.Sem o malogrado Alfredo
Quintana, que morreu a 26 de fevereiro na sequência de uma paragem
cardiorrespiratória num treino do FC Porto, nem Humberto Gomes, por
lesão, o selecionador deposita “total confiança” nos jovens guarda-redes
Gustavo Capdeville, Diogo Valério e Manuel Gaspar.Sem
o lateral Gilberto Duarte, igualmente ausente por lesão, Paulo Pereira
admite que também o pivô Alexis Borges “só terá 1% de hipóteses de se
juntar à equipa”, uma vez que se encontra a recuperar de uma lesão, mas
está nos convocados dado encontrar-se em Montpellier (onde joga).Para
colmatar a mais do que provável ausência do luso-cubano Alexis Borges, o
selecionador chamou o experiente pivô Tiago Rocha, que “tem estado a
jogar muito bem no Sporting”, e que terá ainda um papel suplementar, no
que toca a “ajudar o grupo de trabalho a superar este momento difícil”.“O
que vai acontecer nós não sabemos, mas vamos fazer tudo o que pudermos
para garantir a qualificação”, referiu Paulo Pereira, considerando
crucial vencer os dois primeiros jogos frente à Tunísia (sexta-feira) e
Croácia (sábado).O selecionador recordou a
“resposta excecional” dada pelos jogadores do FC Porto na vitória sobre
os noruegueses do Elverum (38-31), para a Liga dos Campeões, no
primeiro jogo sem o guarda-redes Alfredo Quintana entre os postes, e
espera “algo idêntico” no torneio olímpico.“Vamos
defrontar das melhores seleções do mundo, incluindo a Tunísia, que se
está a preparar há um mês. A França e a Croácia lutam sempre pelas
medalhas”, referiu o selecionador, admitindo que, no atual contexto, as
condições de Portugal “modificaram-se bastante e vão exigir uma
adaptação rápida”.Paulo Pereira reconheceu
que “jogar três jogos em três dias consecutivos vai exigir uma entrega
excecional dos jogadores, sobretudo ao nível físico”, e que a seleção
vai ter que “gerir muito bem a questão das trocas, para ganhar o
primeiro jogo e ir para o segundo lutar pela vitória”.“A
nossa mentalidade é a de vencer e aceder aos Jogos Olímpicos, mas temos
que ter os pés bem assentes no chão e lutar por esse objetivo”, disse
Paulo Pereira, que anunciou que irá deixar fora dos eleitos para França,
tal como estava previsto, o jovem central André José, do ABC.O
ponta Pedro Portela reconheceu que “todo o grupo de trabalho sente
muito a falta de Alfredo Quintana”, a quem desejam dedicar o apuramento
olímpico, mas que “todos os jogadores estão preparados mentalmente para
conseguir a qualificação”.“A Tunísia é uma
seleção difícil. A França e a Croácia são equiparadas e as candidatas a
passar”, admitiu Pedro Portela, reconhecendo que Portugal, com a
qualidade de jogo que possui, “também quer estar nos Jogos Olímpicos e
irá fazer tudo para alcançar esse objetivo”.O
lateral Alexandre Cavalcanti admitiu que a seleção tem pouco tempo para
preparar os jogos, mas, como esteve junta em janeiro no Mundial, tem a
possibilidade de consolidar esse trabalho e corrigir alguns erros, para
“entrar com tudo e ganhar os jogos da qualificação”.