Seleção chega a Lisboa com medalhados a pensar em Tóquio2020
Atletismo/Europeus
9 de mar. de 2021, 13:09
— Lusa/AO Online
Pouco passava das
23h30 (menos uma nos Açores) quando a comitiva lusa cruzou a porta da zona de chegadas
do aeroporto de Lisboa. Fruto da pandemia, apenas alguns familiares
estavam presentes, mas o brio e o orgulho pelos resultados na Polónia
eram evidentes.Figuras centrais, pelas
medalhas de ouro conquistadas, Auriol Dongmo, lançadora do peso
feminino, Patrícia Mamona, triplo salto feminino, e Pedro Pablo
Pichardo, triplo salto masculino, eram a voz dos desejos de Portugal
para o futuro próximo.Dois deles - Auriol Dongmo e Pedro Pablo Pichardo – conquistaram pela primeira vez o ‘ouro’ por Portugal.“Estou
muito feliz. Foi a minha primeira representação pela seleção nacional.
Estou muito feliz com esta medalha de ouro. Estou sem palavras. Gosto
muito de ver que todos estão felizes com esta medalha. É muito bom”,
afirmou, aos jornalistas, Auriol Dongmo, que atribuiu a medalha ao filho
e ao treinador.Para Pedro Pablo Pichardo,
que saltou 17,30 metros, foi “uma sensação muito boa” apesar de no
final ter mostrado algum descontentamento por não ter conseguido saltar
mais longe.“Vencer é sempre muito
positivo. Aconteceu o que estava à espera. Chegar lá e trazer a vitória
para casa. Foi o que conseguimos fazer. Quando fiz o primeiro salto
ainda tinha um bocado de dúvidas, mas com o desenrolar da prova a
confiança foi crescendo para trazer a vitória. No último salto estávamos
à espera de fazer uma marca ainda melhor. Estive sempre à procura, mas
não aconteceu, por isso fiquei um pouco chateado”, disse.Mais
emotiva, à semelhança do que aconteceu em Torún, Patrícia Mamona,
relembrou as dificuldades que sentiu nos últimos meses, nomeadamente por
ter contraído covid-19, revelando mesmo que pensou em desistir da época
de inverno.“Foi uma surpresa para mim e
para os portugueses. Para mim foi uma lição de vida. Provei que ainda
estava em forma, que tinha força e bati o recorde nacional. Foi uma
competição muito renhida, muito competitiva, muito ao centímetro. Mas
ganha quem salta mais e eu saltei mais [14,53 metros]. Estou muito
contente por ter conseguido o recorde nacional e por ser novamente
campeã da Europa, mas pela primeira vez de pista coberta”, realçou.Com
os Jogos Olímpicos a aproximarem-se a passos largos, que decorrem de 23
de julho a 08 de agosto, em Tóquio, o desejo de repetir a façanha
conquistada na Polónia é bastante forte.“Na
minha cabeça está sempre o melhor resultado, que é o ouro e é para isso
que treino todos os dias. Em maio e junho irei participar em várias
provas e aí o treinador vai planear a minha preparação para obter um bom
resultado nos Jogos Olímpicos”, adiantou Pichardo.Motivada
por ter batido o recorde nacional, Patrícia Mamona revelou o ouro da
polónia foi fruto de “muita fome de vencer, fome de conseguir mais e
fome de superar”, motivo pelo qual vê agora Tóquio com outros olhos.“Obviamente
que quando se representa a seleção qualquer medalha é importante. Tanto
para mim como para o país. Consegui sair da minha zona de conforto e
consegui provar que consigo ser muito melhor do que já sou. Foi esta
confiança que apareceu em mim. Agora estou ainda mais confiante para a
época que vem, a de verão. Tenho a prova mais importante, que é a dos
Jogos Olímpicos, estou ainda mais confiante”, garantiu.Com
o filho por perto, Auriol Dongmo, que em Torún conquistou o ouro com um
lançamento de 19,34 metros, prepara-se agora para começar a trabalhar
para os Jogos Olímpicos e, depois, apenas promete: “Vou dar o meu melhor
e Deus vai fazer o resto”.