Seguro pede melhor planeamento e organização em país “muito bom” no improviso
Mau tempo
Hoje 11:54
— Lusa/AO Online
António
José Seguro dedica o segundo dia da sua Presidência aberta ao
distrito de Santarém, tendo começado no concelho de Ourém com uma visita
a uma casa fortemente afetada pelo mau tempo de fevereiro e, depois,
seguido para o Centro de Saúde de Ferreira do Zêzere, acompanhado pelo
presidente da câmara, Bruno Gomes.O
autarca falou da falta de planeamento que há no país e, na conversa, o
Presidente da República respondeu prontamente que concordava.“Planeamento
e organização. Ajuda porque toda a gente sabe o que é que deve fazer em
cada momento. Nós somos muito bons no improviso. Precisamos de ser
melhores na organização das nossas competências e dos nossos recursos”,
pediu Seguro.Na perspetiva do Presidente
da República, “não há milagres, mas pode o Estado responder de uma forma
mais eficiente e mais eficaz”.Seguro quis
ainda saber se aquela unidade de saúde tinha algum gerador ou se está
previsto que venha a ter nas obras de requalificação.“Uma
das aprendizagens desta infeliz catástrofe é precisamente o de garantir
que unidades que são críticas em termos de apoio à população tenham
essa capacidade de manter o fornecimento de energia elétrica aos seus
equipamentos e aos seus técnicos através de geradores. Isso era
crucial”, defendeu o chefe de Estado.O dia
da caravana tinha começado com uma visita a uma habitação na localidade
da Sorieira, na freguesia de Seiça, no concelho de Ourém, onde o mau
tempo fez ruir uma parede e levou parte do telhado.Elsi Silva, com dois filhos menores, é a proprietária da casa visitada, onde vivia há quatro anos e que teve de ser realojada.À
porta, outras mulheres partilharam com o chefe de Estado a tristeza de
verem as suas habitações afetadas pelo mau tempo e de terem sido
obrigadas a aceitar realojamento.Seguro
não ficou indiferente à emoção de Maria de Sousa, de 70 anos, que passou
a viver com o marido e o filho numa habitação cedida pela Câmara
Municipal, mas que espera regressar rapidamente a sua casa.“Tem
de ir à Câmara, falar aos serviços sociais, que estão a acompanhar esta
situação e perguntar como é que está a sua situação. Vai lá à Câmara e
diz eu venho saber como é que está a situação, para se inteirar”,
aconselhou.Nesta ocasião, o Presidente da
República pediu ainda à mulher que continuasse a ter esperança,
sublinhando que a Câmara de Ourém tem estado a ajudar.“Há
cerca de 17 casas aqui no conselho de Ourém que precisam de ser
reconstruídas ou totalmente construídas de novo. Portanto, o senhor
presidente da Câmara está atento a isso”, acrescentou.De
acordo com o presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque,
a passagem da tempestade Kristin deixou mais de 10 mil casas do seu
concelho sem telhas, que obrigaram ao realojamento de cerca de 300
pessoas.“Três habitações ficaram completamente irrecuperáveis”, acrescentou.Atualmente,
dez pessoas continuam realojadas em apartamentos da autarquia e 27
agregados familiares permanecem em casas de familiares ou regressaram às
suas habitações, embora ainda não estejam completamente recuperadas.O
autarca informou ainda que no seu concelho foram entregues cerca de
3.500 participações para formulários de apoio à recuperação de casas até
20 mil euros, “tendo já sido pagos 500”.“Os outros estão em tramitação. Tivemos 113 indeferidos, mas estão outra vez a ser analisados”, indicou.