Seguro e Ventura marcam lugar na segunda volta em noite de derrota pesada para Marques Mendes
Presidenciais2026
Hoje 23:00
— Lusa/AO Online
Com
31,1% e cerca de um milhão de 700 mil votos, Seguro terá conseguido
fixar não só os votos do PS, que liderou entre 2011 e 2014, mas da
esmagadora maioria dos eleitores da esquerda, deixando os candidatos
apoiados pelo Livre, BE e PCP, que nas legislativas somavam 10%, com uma
votação residual, na casa dos 4%.O antigo
secretário-geral socialista foi mesmo o grande vencedor da noite, não
apenas por ter concentrado os votos da esquerda, mas por ter partido
para a eleição presidencial com sondagens adversas que o colocavam quase
sempre atrás de candidatos como o almirante na reserva Henrique Gouveia
e Melo, o primeiro a aparecer como favorito, ou Luís Marques Mendes,
que a determinada altura era o mais bem colocado nos estudos de opinião.No
final da noite, Seguro procurou alargar o leque dos seus apoios para a
segunda volta, recuperando a máxima de Mário Soares e prometer que será
"o Presidente de todos os portugueses" e afirmando que recebeu votos
"oriundos de todos os campos políticos", o que "reforça o caráter
independente da candidatura". "Sou livre, vivo sem amarras e assim
agirei como Presidente da República", acentuou.André
Ventura foi o outro vencedor da noite eleitoral, apesar de ter falhado o
objetivo de vitória na primeira volta reiterado na campanha eleitoral.
Com 23,5% e cerca de um milhão e 300 mil votos, Ventura conseguiu,
aparentemente, fidelizar o eleitorado do Chega nas últimas legislativas
(1,43 miçhões de votos) e partir para a segunda volta a reclamar o papel
de líder da direita em Portugal."Eu vou
agregar a direita a partir de hoje", repetiu Ventura durante a noite
eleitoral, aproveitando o brecha entreaberta pelo líder social-democrata
e primeiro-ministro, Luís Montenegro, que não perdeu tempo para indicar
que "o PSD não emitirá qualquer indicação de voto" na segunda volta das
presidenciais e "não estará envolvido na campanha".No
confronto agendado para 08 de fevereiro, António José Seguro
apresentar-se-á com o apoio do PS e de toda a esquerda contra André
Ventura, que apesar de reivindicar a liderança da direira, terá apenas o
apoio do Chega. Independentemente dos partidos, muitas figuras deverão
assumir opções para a segunda volta, como aconteceu com o ex-ministro
social-democrata Miguel Poiares Maduro, na RTP, e José Pacheco Pereira,
na TVI, ambos manifestando o apoio a António José Seguro.João
Cotrim Figueiredo, ex-líder da Iniciativa Liberal, apesar de ter quase
triplicado o resultado do seu partido nas últimas legislativas, teve uma
noite agridoce, uma vez que falhou o seu principal objetivo de disputar
a segunda volta.Após uma campanha quase
sempre em crescendo, embora com dois momentos embaraçantes - quando
admitiu apoiar Ventura na segunda volta e quando foi acusado de assédio
sexual por uma ex-assessora da IL - Cotrim alimentou sempre a esperança
na segunda volta, hipótese que viria a gorar-se na noite eleitoral.
Apesar de ter admitido apoiar Ventura durante a campanha, Cotrim
Figueiredo seguiu a batuta de Luís Montenegro e anunciou que não
endossaria o voto para a segunda volta das presidenciais.Luís
Marques Mendes foi o principal derrotado da noite, tendo em conta que
era o candidato apoiado pela coligação que suporta o Governo, PSD e
CDS-PP, e chegou a aparecer em primeiro lugar nas sondagens. Mas o
ex-ministro social-democrata ficou em quinto, com 11,3% e pouco mais de
630 mil votos, embora na eleição presidencial mais disputada de sempre,
com 11 candidatos. "A responsabilidade é minha, toda minha e apenas
minha", assumiu Marques Mendes, que também decidiu não apoiar qualquer
candidato na segunda volta.Henrique
Gouveia e Melo, o almirante na reserva que chegou a ser tido por
comentadores como futuro Presidente quando aparecia destacado nas
sondagens, ficou-se pelo quarto lugar, com 12,3% e pouco menos de 700
mil votos. Gouveia e Melo assumiu que os resultados ficaram aquém dos
seus objetivos, mas avisou que o país continuará a contar com a sua
“participação cívica”.Também uma derrotada
pesada tiveram os partidos à esquerda do PS - Livre, PCP e BE - cujos
candidatos Jorge Pinto, António Filipe e Catarina Martins não
ultrapassaram uma votação residual, que toda somada andou nos 4%.
Catarina Martins obteve 2%, António Filipe 1,6% e Jorge Pinto 0,6%, este
último co menos votação do que o músico Manuel João Vieira (1,08%).