Segurança Social suspende pagamento de 182 reformas após alegada fraude em Benavente
Hoje 12:45
— Lusa/AO Online
Numa resposta enviada à Lusa sobre a
detenção de médicos pela Polícia Judiciária (PJ) no âmbito de um alegado
esquema de atribuição ilegal de reformas por invalidez em Benavente, o
ISS avança que foi feita uma auditoria interna na sequência de uma
denúncia encaminhada pela Entidade Reguladora da Saúde.“No
âmbito desta auditoria, foram realizadas, nos dias 17 e 18 de junho,
novas juntas médicas para confirmação da situação de invalidez de um
conjunto de 196 beneficiários selecionados com base no cruzamento de
vários indicadores, nomeadamente, critérios geográficos e a
identificação do médico instrutor do processo”, precisa o ISS.O
Instituto da Segurança Social revela que, na sequência desta revisão,
“182 beneficiários avaliados foram considerados ‘capazes’, tendo sido
suspenso de imediato o pagamento das respetivas pensões com efeitos ao
mês de julho”.Segundo o ISS, esta suspensão dos processos de invalidez gera, até ao final de 2026, “uma poupança de 1.218.672 euros”.O
ISS acrescenta que esta suspensão dos processos de invalidez pode gerar
uma poupança total estimada de cerca de 18,5 milhões de euros, tendo em
conta a idade média dos beneficiários e a idade provável a partir da
qual poderão beneficiar de pensão de velhice.O
Instituto da Segurança Social indica ainda que tem vindo a colaborar,
desde janeiro, com as entidades judiciais no âmbito do processo de
investigação em curso no Ministério Público.A
PJ deteve hoje uma médica de Benavente, no distrito de Santarém,
suspeita de ter recebido verbas indevidas para viabilizar reformas por
invalidez, confirmou à Lusa fonte da força policial.O
alegado esquema em que a médica cobraria cerca de mil euros para
viabilizar processos de reforma por invalidez, conseguindo que dezenas
de trabalhadores se reformassem por invalidez numa empresa pública, foi
revelado em abril pela SIC.De acordo com
um comunicado da PJ, foram detidas quatro pessoas e constituídos nove
arguidos na Operação ‘Relax’, que investiga uma fraude contra a
Segurança Social, que terá lesado o erário público em centenas de
milhares de euros, segundo a investigação.A
PJ adiantou que, “através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção,
realizou hoje uma operação policial, nos distritos de Lisboa, Santarém e
Leiria, para cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão, incluindo
três consultórios médicos, tendo sido detidos quatro suspeitos, entre
os quais três profissionais de saúde, fortemente indiciados pela prática
dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, falsificação de
documento qualificada, fraude contra a Segurança Social qualificada e
burla qualificada”.Segundo o comunicado,
os factos em investigação aconteceram entre 2020 e o momento presente,
“existindo fortes suspeitas de que um grupo alargado de pessoas,
incluindo profissionais de saúde, tenha participado na execução de um
plano criminoso, através do qual conseguiram que a Segurança Social
viesse a atribuir indevidamente, a inúmeros beneficiários, prestações
sociais relativas a pensões de invalidez e pensões por doença
profissional.