Segundo período de greve em IPSS nos Açores "paralisa" muitos serviços
2 de dez. de 2021, 13:19
— LUSA/AO Online
"Os
primeiros indicadores que temos desta segunda jornada de luta é que a
greve está a paralisar muitas creches, jardins de infância da região,
lares de idosos, centros de dia e centros de atividades ocupacionais.
Algumas salas de jardins de infância estão a funcionar, mas as cozinhas
estão fechadas devido à greve", adiantou à agência Lusa o dirigente
sindical Luís Armas, do SINTAP - Sindicato dos Trabalhadores da
Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos.Os
trabalhadores das IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade
Social) e Misericórdias dos Açores cumprem desde as 00h00 de hoje um
segundo período de greve, que se estende até às 24h00 de sexta-feira.Os
trabalhadores das IPSS e Misericórdias dos Açores já tinham cumprido
nos dias 28 e 29 de outubro um primeiro período de paralisação, em
protesto pelos aumentos propostos pela URMA (União Regional das
Misericórdias dos Açores) e pela URIPSSA (União Regional das
Instituições Particulares de Solidariedade Social dos Açores), que não
vão além de 1%.De acordo com o dirigente
sindical, o segundo período de greve "está a ter expressão bastante
significativa em sete ilhas dos Açores, à exceção das Flores e Corvo,
que têm sempre uma adesão fraca"."E
esperamos que na sexta-feira a adesão ainda seja maior", acrescentou,
indicando que a greve "teria mais impacto se as instituições não
estivessem a usar os trabalhadores de programas ocupacionais para
poderem abrir algumas valências, o que é de todo incorreto".Luís Armas disse que, após várias reuniões com a URMA e com a URIPSSA, "o impasse nas negociações continua". "Temos
uma contraproposta que propõe aumentos de 3% com retroativos a julho de
2021. Estamos a aguardar resposta. Tudo faremos pela via do diálogo e
da concertação social para se chegar a um acordo que seja justo para os
trabalhadores", disse o sindicalista.Luís
Armas sustentou "as IPSS e Misericórdias receberam do Governo Regional,
entidade financiadora, um reforço de quatro milhões de euros para 2021 e
2022, o que corresponde a um aumento de 16,5%, contemplando também uma
majoração de 91 euros para quem aufere o ordenado mínimo regional"."E não se pode receber milhões e querer dar aos trabalhadores tostões", apontou.De
acordo com os dados divulgados pelo SINTAP/Açores, os primeiros três
escalões de rendimentos dos trabalhadores afetos às IPSS e Misericórdias
da região auferem todos o salário mínimo, uma vez que os seus
vencimentos base não foram atualizados durante vários anos, e acabaram
por ser “absorvidos” pelo ordenado mínimo regional.