Segundo dia de greve dos CTT com 80% de adesão nos turnos da noite
22 de dez. de 2017, 08:36
— Lusa/AO Online
Em declarações à
agência Lusa às 08:15, o dirigente Vítor Narciso adiantou que a adesão
no segundo dia de greve, por melhores condições de trabalho e pela
salvaguarda dos postos de trabalho, rondou os 80% nos turnos que tiveram
início às 21:00 e às 22:00 de quinta-feira e às 00:00 de hoje.“À
semelhança do primeiro dia, a adesão ronda os 80% nas três centrais de
correio. No que diz respeito aos turnos da manhã, ainda é cedo. Ainda
vamos reunir dados”, disse.Na
quinta-feira, o dirigente do SNTCT, Fernando Ambrioso, disse à Lusa que
no primeiro dia de greve a adesão média foi de cerca de 70%.De
acordo com a empresa, a paralisação não afetou na quinta-feira o
funcionamento dos correios, tendo-se registado uma adesão de 17%, que
levou apenas ao encerramento de duas das 608 lojas CTT.Na
quinta-feira, o presidente dos CTT, Francisco Lacerda, justificou numa
audição no parlamento a necessidade de reduzir pessoal com a "queda
acentuada" do correio tradicional, com a digitalização, o que considerou
que "poderá agravar-se nos próximos anos com a digitalização dos
serviços governamentais", e considerou que com o plano de reestruturação
anunciado a empresa continuará sustentável e sem degradação do serviço
prestado.Francisco
Lacerda recusou ainda falar em despedimentos, referindo que o que estão
em causa são saídas naturais de trabalhadores (por reformas), processos
de rescisão por mútuo acordo e o não prolongamento de contratos a
termo.Na
terça-feira os CTT, que empregam 12 mil trabalhadores, dos quais cerca
de sete mil são da área operacional (rede de transportes, distribuição e
carteiros), divulgaram um plano de reestruturação que prevê a redução
de cerca de 800 postos de trabalho nas operações da empresa ao longo de
três anos, devido à queda do tráfego do correio.De
acordo com o SNTCT, a Comissão Executiva dos CTT informou os
representantes dos trabalhadores de que pretende reduzir o número de
trabalhadores, entre 600 e 700, durante os próximos três anos, com
especial incidência em 2019 e 2020.A
paralisação foi também convocada pelo Sindicato Democrático dos
Trabalhadores dos Correios, Telecomunicações, Media e Serviços
(SINDETELCO), filiado na UGT.Os
CTT - Correios de Portugal, que foram completamente privatizados em
2014, tiveram lucros de 19,5 milhões de euros até setembro deste ano,
menos 57,6% dos 46 milhões de euros conseguidos nos primeiros nove meses
de 2016.