António José Seguro obteve o maior número de votos dos portugueses, mas não conseguiu mais de metade dos votos válidos contabilizados, e, por essa razão terá de ir a uma segunda volta com André Ventura, que obteve o segundo lugar neste primeiro escrutínio eleitoral.Até agora, só tinha sido necessária uma segunda volta (em 1986, entre Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral). Quarenta anos depois, os portugueses terão de ir às urnas duas vezes para conseguir escolher quem vai ocupar o lugar em Belém.António José Seguro que obteve 31,14% dos votos nas eleições, quando estavam apurados os resultados provisórios e faltavam 12 dos 109 consulados, abriu o discurso, na sala do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, onde entrou em ambiente de festa, afirmando que “somos um só povo, uma só nação”. Fazendo ainda questão de deixar claro: “sou livre, vivo sem amarras” e “assim serei como Presidente da República”.Apontando como certeza a sua vitória na segunda volta, apelou: “convido todos os democratas, progressistas e humanistas a juntarem-se a nós”, para “derrotar extremismos”, disse, salientando que “esta não é uma candidatura partidária e nunca será. É a casa de todos os democratas do País”, insistiu, deixando o juramento: “serei o Presidente de todos os portugueses; serei o Presidente leal à Constituição da República”.“A política ou serve para melhorar a vida das pessoas ou então não serve para rigorosamente nada”, sustentou também. E afirmou: “Esperança é apalavra que escolho para bandeira da minha Presidência”.Com confirmação na segunda volta, André Ventura declarou que “o País despertou” e que “os portugueses acreditaram que só havia uma alternativa ao socialismo”, salientando que “a direita fragmentou-se como nunca, mas os portugueses deram-nos a nós a liderança da direita”. “Esta é maior honra da minha vida”, disse ainda, referindo-se à eleição para a segunda volta nas Presidenciais 2026.O candidato que obteve 23,48% dos votos sublinhou num hotel de Lisboa, numa sala com mais de trezentos apoiantes, que vai a eleições com o candidato que defende “tudo aquilo que nós não queremos e tudo aquilo que o País não deve aceitar”. “Vai ser uma luta contra o espaço socialista”, disse, deixando o aviso de que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais “por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita”. No seu discurso de reação aos resultados apelou ainda aos portugueses: “confiem numa via que não seja socialista”.João Cotrim de Figueiredo foi o terceiro candidato presidencial mais votado (15,99%) e considerou que esse resultado foi “uma derrota pessoal” que, apesar de tudo foi “uma vitória” por ter mobilizado cerca de 900 mil portugueses. Considerando provável que o País venha a ter um Presidente da República socialista, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, salientou que isso se deverá a “um erro estratégico” do PSD, tendo anunciado que não irá recomendar o voto em nenhum dos candidatos que vão à segunda volta.Em quarta posição ficou Henrique Gouveia e Melo que assumiu que os resultados da primeira volta das eleições não corresponderam aos objetivos que traçou, mas deixou o aviso que o país continuará a contar com a sua “participação cívica”, considerando que o movimento em torno da sua candidatura “constituiu uma lufada de ar fresco”. No seu discurso de reação aos resultados disse ser “precoce” indicar, para já, quem apoiará na segunda volta das Presidenciais.Por sua vez, Luís Marques Mendes, que ficou em quinto lugar nesta primeira volta das Presidenciais, assumiu a total responsabilidade pelo resultado negativo nas eleições e disse que não apoiará qualquer dos adversários que passe à segunda volta. O candidato apoiado por PSD e CDS-PP felicitou os adversários que passarão a essa fase e deixou claro: “Não vou fazer o endosso dos votos que me foram hoje confiados. Tenho a minha opinião pessoal, mas (...) cada um dos que votaram em mim decidirá na altura própria de acordo com a sua liberdade e com a sua consciência”, afirmou. Uma posição secundada pelo líder do PSD, Luís Montenegro, que ainda anunciou que o partido não emitirá nenhuma indicação de voto na segunda volta das eleições presidenciais.Catarina Martins, candidata com o apoio do BE, reconheceu que o resultado obtido nas eleições ficou “muito abaixo do que esperava” e anunciou que vai apoiar e votar em António José Seguro na segunda volta.Já o candidato com o apoio do PCP, António Filipe considerou que o seu resultado nas eleições ficou aquém do que o país precisa e apelou ao voto em António José Seguro na segunda volta para derrotar os “propósitos reacionários” de André Ventura.Por sua vez, Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, anunciou também que vai apoiar e votar em António José Seguro na segunda volta e apelou ao Livre que faça o mesmo, argumentando que quem se revê na Constituição só tem como opção apoiar o socialista. André Pestana lamentou o “fortíssimo voto útil” à esquerda e admitiu que irá votar em António José Seguro na segunda volta das eleições. Enquanto Humberto Correia agradeceu a todos os portugueses que votaram na sua candidatura, confirmando, que não apoiará nenhum dos candidatos na segunda volta.