Segunda vaga pode levar taxa de desemprego para os 17,6%
Covid-19
7 de ago. de 2020, 12:41
— Lusa/AO Online
De
acordo com a quarta edição do "Caderno de Notas" da EY, dedicado à
"Crise Económica da covid-19", e que conta com a supervisão e direção
científica do antigo ministro da Economia Augusto Mateus, no caso de uma
segunda vaga o desemprego poderá atingir os 17,6% no final do ano,
depois da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento estimar 14,6%
no primeiro trimestre, "antecipando-se que termine o ano em 11,1%"."Contudo,
o surgimento de uma segunda vaga da covid-19 no penúltimo trimestre de
2020 poderá empurrar a taxa de desemprego no país para 17,6%", alerta a
EY, referindo que "o impacto será especialmente forte nas economias mais
baseadas no emprego temporário e por conta própria".Neste
campo, "Portugal sobressai na UE [União Europeia], com um peso do
emprego temporário de 17,9%, sendo superado apenas por Espanha (22,3%)",
juntando à equação a EY o emprego por conta própria, que "também tem um
peso forte na economia nacional (13,6%)"."Os
setores com maior grau de socialização são os mais afetados pela crise
e, como tal, os que contam com mais empregos em risco de redução de
salário ou despedimento", assinala a EY, destacando que "o comércio
(42,3%) e o alojamento e restauração (62,3%) apresentam uma maior
proporção de trabalhadores menos qualificados e mais vulneráveis".O
documento da EY conclui também que as "três características centrais"
da crise económica associada à pandemia de covid-19 denotam que a
produção de serviços foi "mais afetada que a produção de bens", que os
"constrangimentos à mobilidade de pessoas, restrições no contacto social
e nas formas de interação física humana penalizam processos de trabalho
e de consumo", e que o "'lay-off' representou um mecanismo importante
para a defesa do rendimento dos trabalhadores e da liquidez das
empresas".No entanto, ainda relativamente
ao 'lay-off', a EY alerta que "o arrastamento da atual situação de
convivência entre crise económica e pandemia na saúde pública impactará
na subida da taxa de desemprego".Relativamente
ao efeito nas componentes do Produto Interno Bruto (PIB), o estudo da
consultora aponta que o "consumo privado deve convergir mais rápido para
os níveis pré-covid comparativamente às exportações, importações e
investimento".Segundo a EY, Portugal está "mais resiliente" na captação de Investimento Direto Estrangeiro."Os
resultados do EY Attractiveness Survey 2020 [inquérito de atratividade]
evidenciam uma maior resiliência nacional na manutenção dos projetos de
IDE anunciados em 2019 face à Europa (20% estarão em risco, contra 35%
na Europa)".Segundo a EY, "o foco no domínio do digital e nos serviços empresariais explica a menor exposição à pandemia".As
medidas para combater a pandemia paralisaram setores inteiros da
economia mundial e levaram o Fundo monetário Internacional (FMI) a fazer
previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial
poderá cair 4,9% em 2020, arrastada por uma contração de 8% nos Estados
Unidos, de 10,2% na zona euro e de 5,8% no Japão. Para
Portugal, a Comissão Europeia prevê que a economia recue 9,8% do
Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, uma contração acima da anterior
projeção de 6,8% e da estimada pelo Governo português, de 6,9%.O
Governo prevê que a economia cresça 4,3% em 2021, enquanto Bruxelas
antecipa um crescimento mais otimista, de 6%, acima do que previa na
primavera (5,8%)A taxa de desemprego deverá subir para 9,6% este ano, e recuar para 8,7% em 2021, segundo estimativas do Governo.