Secretários de Estado e Defesa dos EUA iniciam digressão asiática
15 de mar. de 2021, 16:07
— Lusa/AO Online
A viagem realiza-se
alguns dias depois de o Presidente dos EUA, Joe Biden, ter participado
numa cimeira virtual com os líderes do Japão, Austrália e Índia, países
que reconhecem a importância da presença dos EUA na região para
contrariar as ambições expansionistas da China.Blinken
e Austin, que viajaram separadamente, vão reunir com os seus homólogos,
na terça-feira, bem como com o primeiro-ministro, Yoshihide Suga, que
tem um encontro marcado com Biden, no próximo mês, em Washington.Na
quarta-feira, os dois governantes deslocam-se à Coreia do Sul, para no
dia seguinte Blinken reunir com os chefes da diplomacia chinesa, no
Alasca - naquele que será o primeiro encontro oficial entre os governos
dos EUA e da China desde que Biden tomou posse, em 20 de janeiro –
enquanto Austin segue para uma visita à Índia.A
pandemia de covid-19 obrigou o Governo de Biden a atrasar o início das
primeiras viagens diplomáticas, geralmente realizadas num ritmo
frenético após a chegada de um novo inquilino à Casa Branca.Mas
não será isso que travará o Presidente norte-americano de comprovar o
seu desejo de reconstruir relações com os seus aliados tradicionais.O
objetivo da viagem é “revitalizar os laços com os nossos amigos e
parceiros”, sublinharam Blinken e Austin, num artigo assinado hoje por
ambos no jornal Washington Post."A nossa
força combinada torna-nos mais fortes quando precisamos de repelir
agressões e ameaças vindas da China”, acrescentaram os dois membros do
Governo de Biden, prometendo “responsabilizar o Governo chinês quando
este violar os direitos humanos em Xinjiang e no Tibete, erodir
sistematicamente a autonomia de Hong Kong, minar a democracia em Taiwan
ou reivindicar territórios marítimos do mar da China Meridional,
violando tratados internacionais”.“Se não agirmos com decisão e não assumirmos a liderança, Pequim o fará”, garantem Blinken e Austin.As
tensões sino-japonesas em torno do arquipélago desabitado de Senkaku,
chamado Diaoyu na China, devem ser “uma parte importante das
negociações” em Tóquio.Um alto funcionário
do Departamento de Defesa, que acompanha a viagem de Austin, justificou
com os “compromissos de segurança” entre os EUA e o Japão.O Japão administra essas ilhotas, reivindicadas por Pequim, que está a aumentar as manifestações de força na região.No
sábado, no Havai, quartel-general do comando militar norte-americano
para a região do Indo-Pacífico, Austin explicou pretende primeiro
"ouvir, aprender e entender" os pontos de vista dos aliados dos EUA na
região."O nosso objetivo é ter certeza de
que temos as capacidades, os planos e os conceitos operacionais para
sermos capazes de fornecer um impedimento confiável para a China ou
qualquer agente que queira atacar os Estados Unidos", acrescentou o
secretário de Defesa.Esta viagem pela Ásia
segue-se a uma cimeira virtual da aliança informal entre os Estados
Unidos, Japão, Índia e Austrália, nascida na década de 2000 para
contrabalançar as ambições expansionistas da China.No
final da semana passada, estes países estabeleceram como objetivo
imediato produzir na Índia mil milhões de vacinas contra a covid-19, até
ao final de 2022, para serem distribuídas no sudeste asiático.