Secretário geral dos TSD diz que nos últimos anos o país “andou armado em rico”

10 de jul. de 2010, 13:42 — Lusa / AO online

“Portugal andou, nos últimos anos, armado em rico, quando podia fazer uma vida moderada, modesta, uma vida de pessoa remediada, que é aquilo que Portugal é”, afirmou Arménio Santos à Lusa na Guarda, onde participou num encontro distrital dos TSD sobre “economia e emprego”. Segundo o dirigente nacional dos TSD, nos últimos anos o país teve “um Governo que se vangloriava das grandes obras, dos grandes projetos, das grandes coisas e das grandes operações financeiras”. “Nós éramos mimosiados com anúncios fantásticos, que pessoalmente até gostaríamos de ver o país realizar essas obras, mas nunca pensámos como é que iríamos pagar essas coisas, como se o dinheiro estivesse ali ao canto da caixa”, denunciou. Acrescentou que “o dinheiro para existir, tem que se produzir, tem que se criar riqueza e o país descurou a sua parte vital, que é a economia real”. Em sua opinião esta situação está a repercutir-se “de forma gravíssima em termos sociais”, apontando que o desemprego é apenas uma ponta das consequências” da crise económica. O líder dos TSD também afirmou que os portugueses “não têm consciência do estado em que o país verdadeiramente se encontra". “É o Estado que está endividado, são as grandes empresas que estão endividadas ao exterior, é a banca portuguesa que tem que ir buscar financiamento ao exterior, para poder continuar a fazer os empréstimos às famílias e às empresas”, alertou. Segundo Arménio Santos “nunca Portugal esteve numa situação de tão elevado endividamento externo” como atualmente. Sobre a introdução de portagens nas SCUT, o secretário geral dos TSD referiu que o Governo PS “optou pela via do não pagamento e agora é forçado a dar o dito por não dito”. Lembrou que o PSD sempre manteve a mesma postura, defendendo o princípio do utilizador pagador. No encontro sobre economia e emprego hoje realizado na Guarda participaram entre outros, Almeida Henriques, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD, o Bispo da Guarda Manuel Felício e Álvaro Amaro, dirigente distrital do partido social democrata. Em declarações à Lusa, o líder local do PSD desafiou o Governo a ter “coragem política” para “tomar medidas públicas ativas” para o desenvolvimento da economia e para a criação de riqueza nas regiões do interior. Álvaro Amaro defendeu a criação de uma Agência Promotora do Investimento no Interior e o pagamento de IRC (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas) “a partir do zero” para as empresas que optem por se fixar nas regiões menos desenvolvidas.