Secretário-geral do PCP reitera critica à condecoração de Zelensky

Ucrânia

17 de fev. de 2023, 22:37 — Lusa /AO Online

À margem de uma iniciativa junto de trabalhadores da hotelaria em Albufeira, no distrito de Faro, Paulo Raimundo afirmou que o “PCP só fez essa crítica porque o senhor Presidente tomou a iniciativa” de condecorar o homólogo da Ucrânia, quando falta uma semana para se assinalar um ano do início da guerra nesse país da Europa de Leste.O dirigente comunista assegurou que “o PCP nunca teria feito a crítica que fez” se Marcelo Rebelo de Sousa “não tivesse tomado a iniciativa de condecorar aquela pessoa em concreto”, referindo-se a Volodymyr Zelensky, a quem o Presidente da República português decidiu atribuir o Grande-Colar da Ordem da Liberdade.“Ela [a crítica] decorre exatamente pelo ato de o Presidente da República ter decidido condecorar, com aquela condecoração também, uma pessoa que consideramos que em nada contribui para aquilo que é preciso neste momento, que é a paz”, justificou, considerando que o Governo ucraniano tem características que “não abonam nada à condecoração que o Presidente lhe quer dar”.Paulo Raimundo fez estas declarações ao ser questionado sobre um comunicado do PCP em que o partido considerava a condecoração ao Presidente da Ucrânia uma "afronta aos democratas" porque Volodymyr Zelensky “personifica um poder xenófobo, belicista e antidemocrático”. Questionado sobre esta classificação, Paulo Raimundo respondeu que constata “um facto”.“Não inventámos isso, não foi o PCP que aboliu os partidos todos praticamente na Ucrânia, foi o Presidente em exercício. O Presidente em exercício que ganhou as eleições e uma das promessas que fez era acabar com a guerra”, acrescentou.Paulo Raimundo disse ainda que Marcelo Rebelo de Sousa “podia ter condecorado o povo ucraniano”, mas não optou por essa solução.“Condecorou o Presidente da Ucrânia e acho que fez mal”, considerou, argumentando que a ordem atribuída a Zelensky “carrega um peso do ponto de vista de liberdades, de democracia, de esforço para quem conquistou a democracia” em Portugal, que “não tem nenhuma correspondência com o poder ucraniano”.Paulo Raimundo sublinhou, contudo, que o “PCP não está fazer nenhum julgamento sobre a guerra” ao criticar a condecoração, nem sobre “quem é o responsável da guerra”.“Agora, aquela pessoa em concreto, e o Governo que aquela pessoa em concreto sustenta, não tem nada a ver com o povo [ucraniano], com o povo que sofre com a guerra, e que é uma guerra que devia acabar, nunca devia ter começado e devia acabar o mais rapidamente possível”, sustentou.