Secretário do Ambiente alerta para "sobrecustos do socorro" nos trilhos
Hoje 08:40
— Lusa/AO Online
Em declarações à Lusa, no dia
em que esteve em discussão no parlamento dos Açores uma proposta de
resolução do PAN para a aplicação de contraordenações nos trilhos
pedestres na região, em caso de socorro, Alonso Miguel referiu que “são
várias as soluções para fazer face aos sobrecustos do socorro”, sendo
parte da taxa turística uma delas.Desde 01
de janeiro de 2025, quatro dos seis municípios da ilha de São Miguel
(Ponta Delgada, Lagoa, Ribeira Grande, Vila Franca do Campo) começaram a
cobrar uma taxa turística municipal de dois euros por noite, até um
máximo de três noites consecutivas, aplicada no alojamento, para
suportar custos com manutenção e limpeza.Alonso
Miguel recordou que, “em primeira instância, o socorro é
responsabilidade das autarquias” e por isso a possibilidade de a taxa
turística contribuir para os “sobrecustos do socorro” é uma hipótese que
“não deve ser descurada”. No debate
parlamentar, o secretário regional do Ambiente e Ação Climática admitiu
que o “número de resgates tem sido expressivo nos trilhos”, de forma
particular na ilha de São Miguel, representando uma “sobrecarga sobre o
sistema regional de proteção civil”.Contudo,
acrescentou, “o Estado tem a obrigação de garantir o socorro”, que é
“tendencialmente gratuito”, embora seja necessário “melhorar o regime
sancionatório já existente”, algo em que o Governo dos Açores “está a
trabalhar.Na proposta do deputado único
do PAN/Açores, Pedro Neves, discutida e aprovada hoje por maioria no
plenário na Assembleia Legislativa dos Açores, na ilha do Faial, é
defendido que “urge implementar procedimentos e medidas que reforcem a
segurança e previnam acidentes”, sendo “a aplicação de contraordenações
uma simples ferramenta de prevenção geral que permite dissuadir
comportamentos prevaricadores”.A medida, é
defendido, deve ser adotada “sem prejuízo de reforçar a sinalização,
desenvolver informação dirigida para os visitantes e reforçar recursos
para resgate de pessoas acidentadas”.No
debate, a deputada socialista Cristina Calisto disse temer que a
“possibilidade de um quadro legal excessivamente punitivo possa gerar
efeitos perversos, levando pessoas em situação de risco a hesitar pedir
ajuda por receio de custos elevados, colocando em perigo a sua vida e de
terceiros”. Já Nuno Barata (IL) recordou
que “a fiscalização não é fácil” nos trilhos homologados, apontando uma
“falta de manutenção e fiscalização” e alertando que o Governo dos
Açores (PSD/CDS-PP/PPM) deve “intervir nessa área com mais acutilância”.
O deputado do CDS-PP Pedro Pinto
corroborou as ideias defendidas pelo secretário regional, insistindo na
necessidade de “melhorar a informação e a sinalização”, uma vez que “não
se pode mercantilizar o socorro", que “não pode depender do pagamento e
é universal”.O deputado único do
BE/Açores, António Lima, concordou com a necessidade de reforçar a
sinalização, manutenção dos trilhos e a prevenção de acidentes, mas
defendeu que “o socorro deve ser garantido em qualquer circunstância”,
sem “o custo ser imputado”. Pelo PSD, Luís
Soares repetiu a necessidade de “monitorização, acompanhamento e
melhoramento” dos trilhos da região, considerando que “taxar a prestação
do auxílio viola o princípio da prestação da vida” e se deve antes
“melhorar o processo de averiguação, negligente".