Secretário de Estado do Desporto contesta relatório da Amnistia
Mundial2030
7 de jun. de 2024, 17:28
— Lusa/AO Online
Na passada
quarta-feira, em relatório intitulado "A jogar um jogo perigoso? Riscos
em matéria de direitos humanos relacionados com os Mundiais de 2030 e
2034”, em tradução livre, a AI sublinhou a responsabilidade dos países
anfitriões, assim como da FIFA, em assegurar direitos laborais, impedir a
discriminação e garantir a segurança.Os
receios da organização não-governamental foram rebatidos por Pedro Dias,
que se mostrou crítico do relatório, lembrando o acolhimento português
do Campeonato da Europa de 2004 para garantir que o país tem em si todas
as condições reunidas."Foi tomada uma
opinião pela AI com a qual nós naturalmente não concordamos, por razões
muito objetivas. Portugal tem sido um exemplo de boas práticas em termos
de preparação das polícias para acolher eventos desportivos desde 2004,
na preparação do Campeonato da Europa. Passadas duas décadas, ainda é
evidenciado como um exemplo de boas práticas", reiterou, em declarações à
Lusa.A AI destaca, entre outros
problemas, a discriminação racial em Portugal, ilustrada com o caso do
então jogador do FC Porto Moussa Marega, em 2020, bem como os casos de
atuação coerciva por parte das forças policiais.O
secretário de Estado reconhece que "nem sempre as coisas correm bem",
mas realça a capacidade lusa em autoanalisar-se e corrigir falhas
sistémicas."O país tem feito um esforço
para que as nossas equipas operacionais estejam preparadas para este
tipo de eventos. Nem sempre as coisas correm bem, mas tivemos sempre
capacidade para analisar e tomar medidas. Não me parece justo colocar
Portugal nesse patamar no que toca a boas práticas internacionais",
lamentou.O relatório surgiu com o
propósito de evitar os "abusos" praticados no Mundial2022, realizado no
Qatar, algo que Pedro Dias contesta. "É muito injusto comparar Portugal às práticas que vigoram nesses países", concluiu.