Secretário da Saúde dos Açores vai avaliar impacto financeiro de reivindicações sindicais
17 de fev. de 2021, 11:14
— Lusa/AO Online
“Temos de
analisar isso com cuidado e com sentido de responsabilidade,
nomeadamente em termos dos impactos financeiros, sendo certo que em
qualquer caso entendemos por justas as reivindicações dos trabalhadores,
porque decorrem da evolução de carreiras e, em muitos casos, tem a ver
com a uniformização de critérios, com a justiça, com equidade, com
igualdade”, afirmou.O secretário regional
da Saúde dos Açores, Clélio Meneses, falava, em Angra do Heroísmo, aos
jornalistas, à margem de reuniões com o Sindicato Nacional dos Técnicos
Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (STSS) e com o Sindicato dos
Trabalhadores da Administração Pública (Sintap).Nas
vésperas da votação do Plano e Orçamento da região, que deverá ocorrer
no mês de abril, o secretário regional da Saúde está a fazer uma ronda
de audições com os vários sindicatos do setor.“Estamos
a fazer este levantamento para posterior análise do impacto financeiro,
para posterior tomada de medidas que concretizem os justos anseios dos
trabalhadores, mas de uma forma responsável, sem ser à pressa, como
obviamente foi feito pelo anterior governo”, revelou, alegando que o
anterior executivo assinou despachos relativos a reivindicações dos
sindicatos no dia em que o novo Governo Regional tomou posse.Clélio
Meneses admitiu que algumas reivindicações “têm fundamento”, até porque
“visam dar um tratamento equitativo a situações iguais”, mas não
assumiu compromissos.“Não me comprometo
com a imediata operacionalização desta medida, porque seria
irresponsável. Seria prometer aquilo que não é possível prometer, porque
temos, por um lado, de analisar juridicamente a situação e, por outro
lado, analisar o impacto financeiro das decisões que se venham a tomar”,
afirmou.O Sintap reivindicou a
implementação dos acordos assinados com o anterior executivo, relativos
aos trabalhadores com contrato individual de trabalho dos hospitais da
região.“Já há trabalhadores em condições
de progredirem, uns a partir de 01 de janeiro de 2019 e outros a partir
de 01 de janeiro deste ano”, frisou o presidente do Sintap/Açores,
Francisco Pimentel, acrescentando que muitos “estão com o vencimento da
base da carreira”.Para o sindicalista, a implementação do acordo deve ocorrer “de imediato”, até porque “já devia ter acontecido”.“Percebemos
que a pandemia complica e que esta é uma das secretarias que está na
frente do combate, mas a vida continua. Estamos a falar do pessoal da
saúde e é uma forma de reconhecer aquilo que tem sido o esforço deles
para o bem comum e para a saúde pública”, salientou.Já o STSS quer reverter as decisões do anterior Governo Regional relativas às progressões na carreira.“As
questões da nossa carreira ficaram muito mal resolvidas pelo anterior
Governo, são questões que já se arrastam há anos e que nunca foram
resolvidas”, apontou a dirigente sindical Carla Silva.O
sindicato reivindica a contagem de 1,5 pontos por ano de serviço, “como
foi feito aos outros profissionais de saúde”, e a aplicação da nova
tabela salarial ao descongelamento das carreiras.Carla
Silva apelou à correção de “assimetrias que foram criadas entre os
profissionais” e disse ter encontrado “abertura e boa vontade” por parte
do secretário regional da Saúde.“Saímos com esperança de que se tenha aberto um caminho, uma porta para entendimento, para discussão deste assunto”, afirmou.