Secretário da Saúde dos Açores promete regularizar carreiras de enfermeiros até março
12 de jan. de 2023, 17:26
— Lusa/AO Online
“Relativamente ao
contrato de trabalho em funções públicas, foi detetado que tinha havido
uma revogação de uma norma de um diploma da República, que permitia que
houvesse essa contagem de um ponto e meio, o que faz com que seja
necessário uma fundamentação legal”, explicou o titular da pasta da
Saúde nos Açores, Clélio Meneses, acrescentando que “durante o primeiro
trimestre deste ano” a situação “ficará resolvida”.O
governante falava, em Angra do Heroísmo, à saída de uma reunião de mais
de três horas com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), o
Sindicado Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) e a Ordem
dos Enfermeiros.Em agosto de 2021, o
Governo Regional dos Açores chegou a acordo com os enfermeiros para
pagar 12,1 milhões de euros, de forma faseada, em oito anos, relativos a
retroativos de 2011 a 2013, ao descongelamento das carreiras, que
remontava a 2018, e à contagem do tempo de serviço dos enfermeiros com
contrato individual de trabalho.Segundo
Clélio Meneses, já beneficiaram dos acordos feitos com as diferentes
carreiras de saúde “cerca de 2.000 trabalhadores, fundamentalmente
enfermeiros, num valor pago de cerca de cinco milhões de euros”.“A maioria já está regularizada. Tudo isto vai ser ultrapassado nos próximos tempos”, frisou.A
situação dos enfermeiros com contrato individual de trabalho “está
resolvida”, porque a natureza jurídica dos contratos “é diferente”.No
caso dos trabalhadores com contrato em funções pública, a situação foi
regularizada até 2019, mas é preciso aprovar um decreto legislativo
regional no parlamento açoriano para que possa ser contabilizado um
ponto e meio por ano de serviço, a partir de 2020.Clélio
Meneses avançou ainda que no mês de fevereiro “começarão a ser pagos os
valores correspondentes às reposições de carreiras e de remunerações
dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica”.Para
Francisco Branco, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), há
questões que “estão para além do que é minimamente razoável de
compreensão”.“Fizemos um acordo para
resolver problemas em agosto de 2021, esse acordo previa um determinado
ritmo de pagamento de retroativos e de descongelamento de tempo de
serviço. Estamos em janeiro de 2023 e sobre esse acordo só estão
efetuadas as etapas de 2018 e 2019. Falta 2020, 2021 e 2022. Mais de
dois terços do acordo ainda não se conseguiram efetuar”, frisou.O
sindicalista considerou, ainda assim, que o período de três meses
previsto pelo executivo para resolver a situação é “perfeitamente
aceitável”.“Saio confortável, porque há
uma perspetiva de solução a curto prazo, mas para todos os efeitos eram
situações que já deviam estar resolvidas em 2021 e estamos a resolvê-las
em 2023”, apontou.Também Marco Medeiros,
do Sindicado Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor),
defendeu que a solução apresentada pelo executivo assegura que o
processo “vai ser concluído o mais rápido possível”.“Estamos
esperançados que, durante o primeiro trimestre, os enfermeiros que
faltam comecem a avançar”, afirmou, acrescentando que todos os meses o
sindicato é contactado por profissionais que não viram ainda a sua
situação regularizada.Pedro Soares, da
secção regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, considerou
igualmente que o processo se começa a “alongar um pouco no tempo”.“As
palmas que nos deram na altura da covid-19, sem esta ajuda agora,
começam a soar um bocadinho a hipocrisia de algumas partes”, referiu.O
representante da Ordem apelou a um “compromisso” da direção regional
das Finanças e da Assembleia Legislativa dos Açores com a tutela da
Saúde para acelerar o processo.“Nós
percebemos que há situações legais que têm de ser percorridas, isso é
perfeitamente percetível, agora aquilo que achamos é que com a ajuda de
maior poder político nesta situação se calhar conseguíamos fazer mais
rápido”, vincou.