Secretário da Saúde dos Açores alerta para défice motor "preocupante" de crianças e jovens
12 de jan. de 2023, 11:51
— Lusa/AO Online
“Temos crianças
que hoje não sabem andar, não sabem correr, nem sabem cair. Isto tem um
impacto tremendo no seu desenvolvimento motor e na sua saúde”, afirmou o
titular das pastas da Saúde e Desporto nos Açores, Clélio Meneses.O
governante falava à margem de uma visita à Escola Básica Integrada
Francisco Ferreira Drummond, na ilha Terceira, onde decorriam provas de
avaliação do projeto Despertar, realizado em parceria com a Universidade
do Porto.O estudo, que arrancou em setembro de 2022, pretende fazer um diagnóstico da condição física das crianças e jovens da região.Até
ao momento, foram avaliadas “cerca de 500 crianças”, nas ilhas das
Flores, Corvo e Graciosa, de um universo de cerca de 7.000 alunos nos
Açores.A recolha de dados, que deverá
abranger pelo menos 60% do total de crianças e jovens do arquipélago,
deverá estar concluída “até ao final do ano letivo”.Os
dados serão depois “tratados por uma equipa multissetorial, liderada em
termos científicos pela Universidade do Porto”, estando prevista a
conclusão do estudo até ao final de 2023.Numa
altura em que o projeto prossegue nas duas ilhas mais populosas do
arquipélago, Terceira e São Miguel, o secretário regional da Saúde
destacou a importância do diagnóstico, admitindo que os resultados sejam
preocupantes.“A constatação que se tem é
que vivemos num tempo em que as crianças não têm muita atividade física,
quer seja por um conjunto de outros hábitos, quer seja pelo facto de
terem muitas atividades que não implicam atividade física, quer seja
através também do medo que os pais e as famílias põem sobre as crianças
na sua atividade física”, apontou.Segundo
Clélio Meneses, a pandemia de covid-19 “foi um fator acrescido de
preocupação”, porque acentuou uma “tendência para o sedentarismo” já
existente.“É evidente que há um défice
motor das crianças, comparativamente há duas, três décadas atrás, que é
muito significativo e preocupante”, reconheceu.No
decorrer do estudo, sempre que forem identificadas “questões
preocupantes ou com algum grau de risco”, as crianças serão
“encaminhadas para a respetiva unidade de saúde, para terem o
acompanhamento médico adequado”.“Através
deste diagnóstico é que se consegue perceber se é necessário. Se não se
estivesse a fazer isso, muitas situações preocupantes ao nível de saúde
não seriam detetadas em tempo oportuno”, salientou o titular da pasta da
Saúde.Questionado sobre as medidas que o
executivo pretende adotar para combater o défice motor das crianças e
jovens, Clélio Meneses disse que será o estudo a dar indicações do
caminho a seguir.“Qualquer medida que seja
tomada relativamente ao desenvolvimento desportivo ou à saúde tem de
ter um bom diagnóstico. O que estamos a fazer é um diagnóstico,
cientificamente sustentado, através da Universidade do Porto, no sentido
de encontrarmos parâmetros e níveis de literacia motora que alicercem
as decisões que vão ser tomadas”, adiantou.Apesar
dos indícios que apontam para um défice motor das crianças e jovens,
“os Açores são a região do país em que, em geral, se pratica mais
atividade física, em termos associativos”.