Secretário da Agricultura dos Açores justifica incumprimento de regras com particularidades de evento
Covid-19
7 de jul. de 2021, 11:42
— Lusa/AO Online
“Há
que perceber que aquela atividade é muito específica. Há um conjunto de
pessoas que quase diariamente convive entre si, porque o maneio do gado
bravo tem voluntários e tem os próprios ganadeiros. As pessoas
juntam-se para fazer o maneio do gado bravo, há uma comunidade quase
como uma família que diariamente se encontra para este maneio”, afirmou,
em declarações aos jornalistas, à margem da assinatura de um protocolo
com a cooperativa Bio Azórica.Na
semana passada, o BE/Açores divulgou um vídeo em que é possível ver o
secretário regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural e o diretor
regional da Cultura, do executivo da coligação PSD/CDS/PPM, num evento
tauromáquico, na ilha Terceira, com dezenas de pessoas, sem cumprirem as
regras de contenção da Covid-19, como o uso de máscara e o
distanciamento social.Num
requerimento enviado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos
Açores, os deputados do BE, António Lima e Alexandra Manes, perguntaram
se o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro (PSD), "teve
conhecimento do incumprimento das medidas obrigatórias por parte do
secretário regional da Agricultura e do diretor regional da Cultura", e
"que diligências tomará" o executivo "no sentido de evitar que esta
situação se repita em ocasiões futuras"."Está
ainda em vigor a obrigação de utilização de máscara na via pública
sempre que o distanciamento físico recomendado pelas autoridades de
saúde regionais se mostre impraticável", salientaram, em comunicado de
imprensa, alegando que "os membros do Governo não podem aparecer em
vídeos de sensibilização para cumprimento de regras sanitárias num dia e
no dia seguinte participar em eventos sem cumprir estas mesmas regras".Confrontado com estas acusações, António Ventura disse ter dúvidas sobre a “verdadeira intenção do Bloco de Esquerda”.“Se
estivesse muito preocupado com essa eventualidade de cumprimento das
regras, tinha logo no dia a seguir levantado a questão, mas não, foi
passado duas semanas. Isso significa que o objeto não é a máscara, mas
efetivamente a tauromaquia e a atividade tauromáquica”, acusou.Segundo
o titular da pasta da Agricultura, “cerca de 50% das pessoas” que
participaram no evento “têm um convívio diário no maneio do gado bravo” e
em algumas situações não era possível utilizar máscara.“Esse
tipo de evento é acompanhado de comes e bebes. Há duas mesas centrais
de comes e bebes. Quando se come e quando se bebe, tira-se a máscara”,
justificou.O
evento tinha como propósito a ferra de touros, para identificação dos
animais, que segundo António Ventura deverá ser substituída por outro
método, até 2023.“Iniciámos
um projeto piloto na Terceira, mas extensível a todas as ganadarias
para a substituição da marca a fogo para a marca a azoto. É uma marca
que não provoca dor, provoca menos 'stress' e permite ter a mesma
visibilidade de marcação”, indicou.Questionado
na semana passada sobre o requerimento do Bloco de Esquerda, o
secretário regional da Saúde e Desporto dos Açores disse que as regras
de contenção da Covid-19 eram aplicáveis “a todos os cidadãos,
independentemente do cargo que ocupam”.“Não
estive presente em nenhum desses eventos, por isso não me posso
pronunciar sobre aquilo que alegadamente é referido. A posição da
Secretaria Regional da Saúde e Deporto e da Autoridade de Saúde é no
sentido de mantermos o cumprimento das regras de comportamento
individual na relação com os outros”, adiantou.