Secretária da Saúde dos Açores diz que comissão de inquérito não tem provas de ilegalidade no hospital modular
17 de jun. de 2025, 13:14
— Lusa/AO Online
“Penso que a
comissão fez o seu trabalho. Acho que ficou bem claro nas audições a
estratégia do Governo Regional e, depois da aprovação do relatório
final, sem fazer qualquer tipo de comentário sobre a proposta de
relatório, fica claro que não foram reunidas quaisquer provas de
ilegalidade”, afirmou, em declarações à Lusa, a titular da pasta da
Saúde nos Açores, Mónica Seidi.O Hospital
do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, foi afetado por um incêndio no dia 4 de maio de 2024, que obrigou à
transferência de doentes para outras unidades de saúde da região e do
país.Na sequência do incêndio, foi
decidido instalar um hospital modular junto ao edifício, para assegurar
os cuidados de saúde prestados pelo hospital até à sua requalificação.Em
fevereiro de 2025, foi criada uma comissão de inquérito na Assembleia
Legislativa dos Açores, proposta pelo PSD, com o propósito de apurar as
circunstâncias, causas, responsabilidades e consequências do incêndio,
bem como avaliar a resposta institucional subsequente.Na
segunda-feira, a comissão de inquérito aprovou, por unanimidade, o
relatório final, depois de aprovadas propostas de alteração de vários
partidos à versão preliminar, entregue pela relatora, deputada do PS.Na
versão preliminar, a que a Lusa teve acesso, uma das conclusões referia
que os processos de contratualização subjacente à conceção, construção,
apetrechamento e funcionamento do hospital modular levantavam “dúvidas
quanto à legalidade e regularidade financeira”.Sem comentar a versão preliminar, a titular da pasta da Saúde reiterou que “o Governo Regional atuou bem, em conformidade”.Quanto
ao facto de o relatório ser enviado ao Ministério Público e ao Tribunal
de Contas, Mónica Seidi afirmou que “qualquer decisor político deve ter
em mente que a sua atuação, mais cedo ou mais tarde, poderá ser
escrutinada ou auditada”.“Estamos cá com
serenidade e tranquilidade para responder a algum tipo de esclarecimento
que possa vir a ser necessário dar, mas nesta fase não identifico algo
que possa vir a ser passível de erro”, apontou.Questionada
sobre o facto de ter sido contactada apenas uma empresa para a
construção do hospital modular, o que foi criticado pelos partidos da
oposição, a secretária regional da Saúde sublinhou que havia “urgência
em tomar decisões”.“Havia a necessidade de
tomar uma decisão e foram acauteladas outras possibilidades que não
davam a resposta que nós pretendíamos”, vincou.Mónica
Seidi lembrou que não existiam no país muitas empresas com conhecimento
em saúde para construir estruturas modulares e que também não existiam
muitas empresas com alvará para obras superiores a 12 milhões de euros.Disse
ainda que já existiam contactos prévios entre a administração do
hospital e a empresa em questão, sobre a possibilidade de ampliações
no HDES, conforme é possível comprovar em documentos fornecidos à
comissão.“Houve planeamento, houve
estratégia, foram analisadas várias possibilidades para termos a
resposta imediata e a resposta que sobretudo acautelasse a segurança e o
bem-estar dos nossos utentes”, reiterou.