Secretária da Saúde diz que aumentaram referenciações para psiquiatria nos Açores
19 de jul. de 2023, 15:45
— Lusa
“Cada vez mais se
fala em saúde mental. A região tem estado a acompanhar aquilo que é
necessário dar aos nossos utentes. Isso quer dizer também que o número
de referenciações tem vindo a aumentar e se calhar as respostas agora
até se vão tornar cada vez mais insuficientes. Vamos ter de continuar a
colmatar essas necessidades, porque há um alerta para a doença, apesar
de ainda haver uma estigmatização que é contínua, mas efetivamente
estamos melhor”, afirmou a titular da pasta da Saúde nos Açores, em
declarações aos jornalistas.A governante,
do executivo PSD/CDS-PP/PPM, falava em Angra do Heroísmo, na ilha
Terceira, à saída de uma reunião da Estrutura para a Saúde Mental do
Açores, em que participaram representantes das oito equipas de saúde
mental comunitárias da região.Em março, à
margem de uma sessão de auscultação pública do Plano Regional de Saúde
Mental dos Açores, o coordenador da Estrutura para a Saúde Mental dos
Açores, Henrique Prata Ribeiro, que não esteve hoje em Angra do
Heroísmo, defendeu que, apesar do reforço existente, o rácio de
psiquiatras por habitantes nos Açores ainda não era “satisfatório”.“O
rácio ronda os seis [psiquiatras] por 100 mil habitantes. Gostaríamos
de chegar a um mínimo de 10 por 100 mil habitantes. Ainda há espaço de
crescimento bastante grande”, avançou, na altura, revelando que, em
janeiro de 2023, a região tinha 21 psiquiatras, três pedopsiquiatras e
59 psicólogos.Questionada hoje sobre a
falta de psiquiatras nos Açores, Mónica Seidi admitiu uma necessidade de
reforço, acrescentando que no Hospital de Ponta Delgada “há dois
recém-especialistas que serão absorvidos pelo Serviço Regional de
Saúde”.“Estamos a falar de rácios que são
inferiores ao desejado. Isso já foi assumido publicamente. Infelizmente
lidamos com essa realidade”, apontou.Segundo
a titular da pasta da Saúde, o executivo açoriano está a tentar
encontrar “mecanismos que tentem colmatar essa falha que existe na
região”, mas não é exclusiva dos Açores.“Temos
tido a resposta possível, na medida em que a estrutura conseguiu a
criação de uma bolsa de médicos psiquiatras para ajudar, sobretudo em
aspetos de consultadoria, que muitas vezes é o que importa numa resposta
mais célere, no âmbito dos cuidados de saúde primários para auxiliar os
médicos que trabalham em ilhas que não têm hospital ou que poderão ter
maior dificuldade nessa referenciação”, explicou.Mónica
Seidi considerou que o Plano Regional de Saúde Mental está a ser
implementado “de forma satisfatória”, reconhecendo, ainda assim, que
gostaria de ter “outras respostas em certas áreas”, que deverão avançar
“a partir do terceiro trimestre” deste ano.A
governante salientou que já foram publicados os “critérios de
referenciação hospitalar, no âmbito da medicina geral ou dos cuidados de
saúde primários”.“Tem de haver critérios
que façam essa referenciação entre os diferentes serviços dos três
hospitais, até porque na Horta não temos internamento. Tem de haver uma
agilização de forma a facilitar o trabalho que está no terreno, não
esquecendo que nas ilhas sem hospital muitas vezes em caso de agitação
aguda estes utentes têm mesmo" de ser transferidos, revelou.Por
outro lado, destacou a aposta na formação, lembrando que estão a
decorrer formações em saúde mental para enfermeiros e médicos e que está
agendada para setembro uma ação para psicólogos.