"Se queremos flexibilidade temos de estar disponíveis para pagar essa flexibilidade"
26 de nov. de 2024, 18:02
— Lusa/AO Online
Num
parecer enviado ao parlamento, a Associação Portuguesa de Bancos (APB)
referia que a eliminação de comissões no reembolso antecipado dos
empréstimos à habitação a taxa fixa poderia levar os bancos a deixarem
de conceder empréstimos a taxa fixa ou mista."Se
queremos flexibilidade temos de estar disponíveis para pagar o preço
dessa flexibilidade", afirmou Mário Centeno, quando questionado sobre o
tema na conferência de imprensa de apresentação do Relatório de
Estabilidade Financeira (REF) de novembro."Não podemos é achar que todos os produtos são iguais porque não são", acrescentou o governador do Banco de Portugal.Por
sua vez, a vice-governadora, Clara Raposo, deu o exemplo de um contrato
de crédito à habitação com taxa fixa: "Se eu quero ter opcionalidades
extra, um contrato que me permita fazer mais coisas (...), essas
opcionalidades extras têm um valor e esse valor é monetário".Ou
seja, "é natural que um banco que ofereça uma taxa fixa, mas se for
possível a determinada altura sair, esse custo dessa opcionalidade, esse
custo está refletido na taxa que se paga para reembolsar
antecipadamente", acrescentou."Se essa
taxa desaparecer, os bancos e as pessoas que poderem fazer à mesma esse
reembolso antecipado e mudar para outro tipo de crédito" - a taxa de
fixa deixa-o de o ser - "os bancos vão ter de encontrar outro parâmetro
onde refletem o valor" dessa opção, explicou a vice-governadora.Ambos
referiram-se à lógica do preço implícita neste tipo de contratos,
escusando-se a tomar uma posição sobre o parecer da APB sobre esta
matéria.Mário Centeno referiu ainda que
"um contrato é um contrato" e "é para cumprir", reforçou o governador,
referindo que há também uma questão de "reputação nos mercados"."Alguém que esteja a fazer contratos de taxa fixa e a rompê-los a cada mês (...) fica tudo registado no sistema", advertiu."Acho
que nós temos de nos preocupar muito com a reputação nos mercados e se
temos aqui feito uma apologia grande que isso exista da parte dos bancos
(...),temos de fazer extensível a todo o mercado", defendeu.