'Se aulas começassem hoje haveria mais de 400 mil alunos sem todos os professores atribuídos'
21 de ago. de 2025, 15:45
— Lusa/AO Online
“Em relação ao ano
passado, neste momento, o quadro é mais negro, nós estamos muito pior no
que à falta de professores diz respeito”, alertou José Feliciano Costa,
secretário-geral da Fenprof, em declarações à Lusa a três semanas do
início das aulas para os alunos do ensino básico e secundário.No
ano passado "havia 164 horários sem professores atribuídos, e agora há
mais de três mil”, disse o sindicalista, baseando-se nos dados
divulgados na semana passada pelo Ministério da Educação, Ciência e
Inovação (MECI) sobre os concursos que colocaram quase 19 mil docentes,
mas deixaram 3.152 horários por preencher.Segundo
Feliciano Costa, muitos desses horários já não têm candidatos e, "se as
aulas começassem hoje haveria mais de 400 mil alunos sem professores”. No
entanto, até começarem as aulas, as escolas poderão contratar através
das reservas de recrutamento. Mas também aqui o sindicalista
considera que “a situação é mais complicada”, porque há menos 2.566
docentes disponíveis nas reservas de recrutamento. “No ano passado
tínhamos mais de 19 mil e este ano rondam os 16 mil”, disse.A
Fenprof alerta para uma redução generalizada de candidatos na maioria
dos grupos de recrutamento, atingindo “valores particularmente
alarmantes” no 1.º ciclo do Ensino Básico (menos 27,7%), entre os
professores de Inglês do 1.º ciclo (menos 36,8%) e os que ensinam
Português e Inglês (menos 42,3%).Também há
muito menos docentes de Matemática e Ciências da Natureza, de Geografia
ou de Educação Especial, segundo a lista da Fenprof, onde
aparecem também os professores de Inglês ou de Português.Nos
estabelecimentos de ensino em que os horários continuem por preencher,
os diretores poderão também avançar para a contratação de escola, o que
significa ter professores não profissionalizados a dar aulas, uma opção
cada vez mais recorrente nos últimos anos.“A
situação agrava-se com a entrada residual de novos professores, que
continuam a ser insuficientes para compensar as 2.054 aposentações
registadas este ano até 31 de agosto. São mais do que no ano passado”,
lamentou Feliciano Costa, concluindo que "o plano "+ Aulas +
Sucesso" não deu resultado no ano passado e vai continuar a não dar
resultado este ano. Não se veem medidas eficazes e de fundo para
resolver o problema”.O secretário-geral da
Fenprof alertou ainda para erros no concurso de colocação de
professores que mudaram de Quadro de Zona Pedagógica (QZP) mas
enganaram-se no preenchimento da candidatura, uma falha que não foi
identificada pelo sistema, que validou candidaturas incorretas.“Estas
situações, até serem corrigidas, criam grande instabilidade e angústia
para os docentes e suas famílias, sobretudo quando implicam afastamento
significativo da sua residência”, alerta a maior estrutura sindical
representativa da classe.Também a
Federação Nacional da Educação (FNE) disse hoje já ter recebido
vários pedidos de apoio de docentes que reportaram erros no
preenchimento das candidaturas à Mobilidade Interna."Estes
lapsos, que em muitos casos decorrem também de limitações do próprio
sistema/plataforma concursal, não podem, em circunstância alguma,
resultar em penalizações para os professores", defende a FNE, pedindo à
tutela a rápida correção dos erros e a divulgação de orientações claras a
todas as escolas e serviços que garantam que nenhum docente será
prejudicado."Num contexto de grave
escassez de professores e perante a urgência da preparação e organização
do ano letivo 2025/2026, esta situação assume especial relevância,
podendo comprometer a estabilidade e o normal funcionamento das escolas
no início de setembro", alerta a FNE.