Scholz garante a Zelensky que não haverá “paz ditada” por Putin
Ucrânia
11 de jun. de 2024, 10:37
— Lusa/AO Online
“Promover
esta consciência é o que está em causa na cimeira de paz que se realiza
este fim de semana na Suíça”, afirmou Scholz, ladeado pelo Presidente
ucraniano, acrescentando que os aliados apoiarão a Ucrânia “durante o
tempo que for necessário”.Ao abrir os
trabalhos da conferência Scholz instou os aliados ocidentais a
reforçarem as defesas aéreas da Ucrânia, que são extremamente
necessárias face aos bombardeamentos russos.“O
que o exército ucraniano mais precisa atualmente é de munições e armas,
em particular para a defesa aérea”, disse o chanceler alemão,
sublinhando que Berlim decidiu entregar à Ucrânia um terceiro sistema de
defesa antiaérea Patriot e Iris-TSLM, tanques com armamento antiaéreo
Gepard, mísseis e munições de artilharia. “Porque
a melhor reconstrução é aquela que não tem de ser feita de todo”,
sublinhou o chanceler social-democrata, lembrando que o Banco Mundial
(BM) estima que serão necessários 500.000 milhões de dólares (cerca de
465.200 milhões de euros] para a reconstrução da Ucrânia nos próximos
dez anos.“Dadas as dimensões de que
estamos a falar, o capital privado deve participar”, disse Scholz,
sublinhando que a reconstrução da Ucrânia também pode beneficiar as
empresas estrangeiras que investem no país.“Aqueles
que se envolverem numa fase inicial, que cultivarem e expandirem as
suas relações económicas com a Ucrânia estarão na linha da frente”,
sublinhou.Zelensky chegou hoje a Berlim
para participar na terceira Conferência Internacional para a
Reconstrução da Ucrânia e para se encontrar com Scholz, com quem
discutirá o reforço da defesa aérea e a produção de armas.“Cheguei
à Alemanha para participar na Conferência para a Reconstrução da
Ucrânia e manter conversações com o Chanceler Olaf Scholz”, escreveu
Zelensky na sua conta X.Zelenski afirmou
que, na conferência, que, além de Scholz, contará com a presença de
vários primeiros-ministros, incluindo o da Estónia, Kaja Kallas,
Lituânia, Ingrida Simonyte, Países Baixos, Mark Rutte, e Bélgica,
Alexander de Croo, a principal prioridade é encontrar “soluções urgentes
para o setor da energia face ao terror aéreo russo”, em referência aos
atentados.A reunião de dois dias contará
também com a presença de vários ministros ucranianos, desde os
ministérios da economia e das finanças aos dos negócios estrangeiros,
bem como dos presidentes das câmaras de Kiev, Vitali Klitchko, de
Kharkov, Igor Terekhov, e de Lviv, Andri Sadovi, e da mulher do
Presidente, Olena Zelenska.Entre os
parceiros ocidentais presentes encontravam-se os chefes da diplomacia de
Itália, Antonio Tajani, de França, Stéphane Séjourné, da Polónia,
Radoslaw Sikorski, e do Reino Unido, David Cameron, bem como a
representante especial para a recuperação económica da Ucrânia, Penny
Pritzker.A Presidente do Banco Europeu de
Investimento (BEI), Nadia Calviño, o Secretário-Geral da Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), Mathias Cormann,
e a Presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento
(BERD), Odile Renaud-Basso, também se deslocaram a Berlim.No
total, mais de 2.000 pessoas de 60 países, entre políticos,
empresários, sociedade civil e municípios, participam na conferência,
que se segue à organizada pela Suíça, em 2022, e pelo Reino Unido, no
ano passado, e que prosseguirá em 2025, em Itália.A
conferência será também o palco de uma reunião bilateral entre Zelensky
e Scholz, com quem irá discutir uma maior assistência à defesa, o
reforço do sistema de defesa aérea da Ucrânia e a produção conjunta de
armas, de acordo com o próprio líder ucraniano.Os
dois homens irão também coordenar as suas posições tendo em vista a
Cimeira da Paz, que se realizará nos próximos dias 15 e 16. na Suíça,
bem como a Cimeira da NATO em Washington, em julho.Após
o encontro com Scholz, o chefe de Estado ucraniano encontrar-se-á
também com o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, com o líder da
Câmara Baixa do Bundestag, Bärbel Bas, e visitará uma base militar onde
estão a ser treinados soldados ucranianos.