Scholz defende opção de envio de armas a Kiev e embargo energético
Ucrânia
4 de mai. de 2022, 17:18
— Lusa/AO Online
Num
momento de críticas internas à sua atitude em relação à guerra na
Ucrânia, sobretudo quanto às sanções a Moscovo e ao envio de artilharia
pesada para Kiev, o chanceler alemão apresentou em Berlim os resultados
de um conselho de ministros extraordinário de dois dias, realizado em
Meseberg, perto de Berlim, e centrado na invasão russa daquele país.Scholz
passou em revista as medidas do seu Governo para apoiar a Ucrânia e
aliviar os efeitos da guerra, na Alemanha e a nível global, numa
conferência de imprensa conjunta com o vice-chanceler e ministro da
Economia e do Clima, o verde Robert Habeck, e o das Finanças, o liberal
Christian Lindner.Mais uma vez, chamou à
guerra um “erro de cálculo” de Moscovo, cujo resultado foi uma NATO
(Organização do Tratado do Atlântico-Norte) “mais forte” e uma União
Europeia “mais unida” e a imposição por muitas democracias de sanções à
Rússia, e respondeu às acusações de que tem mantido um rumo político
errático, afirmando ter seguido desde o princípio uma linha “precisa”.“Desde
o início da guerra, anunciei em público que, ao contrário de antes,
estávamos dispostos a fornecer armas”, declarou, recordando que Berlim
está a enviar não só as que tem no arsenal do seu exército, mas também
equipamento bélico comprado especialmente para o efeito, incluído por
Kiev nas suas listas de pedidos de ajuda.Além
disso, a Alemanha está disposta a participar num sistema de troca
circular, em que os parceiros da Europa de leste enviam para a Ucrânia
tanques “russos ou soviéticos” dos seus próprios arsenais, que serão em
seguida substituídos por novos enviados por Berlim.Scholz
assegurou, assim, que o seu Governo “está a agir de forma idêntica aos
Estados Unidos, Reino Unido, Espanha ou Itália” e que a única diferença é
que “o debate está a ser conduzido de forma diferente”.Ainda
hoje, a ministra da Defesa alemã, Christine Lambrecht, indicou que o
Governo está a analisar com os seus aliados o fornecimento de
lança-obuses blindados do tipo Panzerhaubitze 2000 a Kiev, além dos
cinco já confirmados pelos Países Baixos.A
ministra disse que ainda não tomou uma decisão sobre o envio deste tipo
de blindados, acrescentando que, no papel, o Bundeswehr (exército
alemão) tem cerca de cem, dos quais apenas cerca de 40 estão
operacionais.“Estamos em conversações com
os nossos aliados para ver se podemos aumentar este número de cinco,
para oferecer apoio adicional à Ucrânia”, ou seja, se outros países,
além dos Países Baixos, estão dispostos a fornecer blindados do tipo
Panzerhaubitze 2000.A decisão que foi
tomada, anunciou a ministra, é a de que soldados ucranianos poderão
receber formação em Idar-Oberstein, no Estado federado da
Renânia-Palatinado, para operar estes cinco lança-obuses blindados
enviados pelo Governo neerlandês.O
chanceler alemão sublinhou também que, se a Alemanha está agora em
condições de apoiar um embargo ao carvão e ao petróleo russos é porque o
seu Governo esteve a ‘preparar o terreno’ desde antes do início da
guerra.“Estaríamos noutra situação em
relação à proposta da Comissão Europeia se não estivéssemos a
preparar-nos há tanto tempo”, observou.Scholz
rejeitou que uma exceção ao embargo europeu para países como a Hungria
constitua um “precedente perigoso” e falou, em contrapartida, de uma
“continuação pragmática” da política de impor sanções cujo efeito não
seja pior para o país que as impõe do que para a Rússia.“Não
serve de nada se as economias colapsarem, mas é claro que espero que
outros países intensifiquem esforços”, comentou, por seu lado, o titular
da Economia e do Clima, Robert Habeck, para quem uma fase de transição
até ao final do ano “é suficiente” para estarem preparados, no caso da
Alemanha.Tal não significa que as
alternativas ao crude russo possam ser “implementadas de imediato” e que
o abastecimento não seja “intermitente” a nível regional, sublinhou
Habeck, afirmando que, no entanto, um embargo poderá neste momento ser
“suportado pelo país”.O ministro verde
recordou igualmente que está a ultimar um projeto de lei para “reduzir
ao mínimo previsto pela Europa” os requisitos necessários para autorizar
a construção de terminais de gás natural liquefeito, imprescindíveis
para que a Alemanha se torne independente do gás russo.Com
a nova lei, que Habeck espera que possa ser aprovada antes do verão, o
processo de autorização durará “semanas, em vez de meses ou anos”,
previu.Novamente questionado sobre os seus
planos para visitar Kiev, Scholz disse que uma viagem não está em cima
da mesa neste momento, depois de o Governo do Presidente ucraniano,
Volodymyr Zelensky, se ter recusado a receber o Presidente da República
alemão, Frank-Walter Steinmeier.“Para o
Governo e para o povo alemães, é um problema”, afirmou o chanceler e
indicou que agora Kiev deverá “dar um contributo”, através do diálogo
com o Presidente Steinmeier. “É o mais alto representante do nosso país, eleito por uma larga maioria”, recordou.