A Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social (SRSSS) anunciou a suspensão provisória das candidaturas aos Contratos de Cooperação - Valor Investimento (CCVI), para canalizar as verbas na execução plena do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cujo prazo termina a 31 de agosto, e do Programa Açores 2030. Uma decisão que, apesar de articulada com a União Regional da Misericórdias dos Açores e com a União Regional das Instituições Particulares de Solidariedade Social (URIPSSA), apanhou algumas instituições de surpresa.Em causa estão novos apoios eventuais para a aquisição de bens e serviços que, segundo a tutela, no ano passado rondou os 12 milhões de euros, grande parte financiada através do PRR. Os contratos de investimentos firmados antes da entrada em vigor da portaria mantêm-se, explica a mesma fonte.“A suspensão temporária das candidaturas aos CCVI prende-se com a necessidade de concentrar esforços financeiros e operacionais na execução dos projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), cujo prazo de conclusão termina em agosto de 2026, bem como na adequada articulação com o Programa Açores 2030. Trata-se de uma decisão de gestão responsável, que visa garantir o pleno aproveitamento dos fundos comunitários disponíveis e o cumprimento rigoroso dos prazos estabelecidos”, refere a SRSSS em nota de imprensa.Questionada a URIPSSA, o seu presidente, João Canedo, confirma o diálogo com a tutela e lembra que “neste momento, está a preparar-se um estudo - da responsabilidade da SRSSS e do Instituto de Segurança Social dos Açores - sobre os custos reais das instituições. E o que pretendemos é que o valor do custo-padrão se aproxime das necessidades reais das instituições, para que cada vez menos as instituições tenham de fazer estes pedidos eventuais de financiamento”.João Canedo diz que as IPSS dos Açores querem deixar de ser o “parente pobre” da saúde, pois afirma que “o ISSA e o Governo Regional paga-nos um serviço de alta qualidade como se fosse uma low-cost”.No entanto, reconhece que as instituições podem sofrer com esta suspensão, ainda para mais à luz do que se passou no ano passado, com o atraso nas transferências por parte da República, que causou problemas nas contabilidades da maior parte das IPSS dos Açores, além da redução de 4 milhões de euros de verbas provenientes do governo central.“Claro que vai haver problemas, pois um pedido eventual para reparar uma máquina de roupa ou uma viatura que avariou, por exemplo, não terá resposta”, reconhece.Algumas IPSS, contactadas pelo Açoriano Oriental, receiam que “algo fique pelo caminho” com esta suspensão. O PS/Açores, em nota de imprensa, alerta para o impacto que esta decisão pode vir a ter no normal funcionamento das IPSS, assinalando que o anúncio foi feito a poucos dias da abertura do período de candidaturas (15 de fevereiro).Citado na nota de imprensa, o deputado Marco Martins diz que os CCVI são essenciais para as IPSS realizarem obras de construção, adaptação ou melhoramento das duas infraestruturas, bem como adquirir equipamentos indispensáveis ao desenvolvimento das respostas sociais.