Saúde rejeita extinção da Saudaçor e dos hospitais E.P.E
1 de fev. de 2013, 17:04
— Paula Gouveia
O secretário regional da Saúde, Luís Cabral, encontrou propostas “positivas” entre as medidas sugeridas pelos partidos da oposição e pela Ordem dos Enfermeiros para a reestruturação do Serviço Regional de Saúde (publicadas na edição de hoje do Açoriano Oriental), mas entre as propostas que vai considerar, não estarão a extinção da Saudaçor e o fim do estatuto empresarial dos três hospitais da Região, nem muito menos o saneamento total ou parcial da dívida da Saúde.
“Devemos ser nós açorianos a decidir de que forma é que queremos sustentar o nosso serviço regional de Saúde e gerir a nossa dívida”, sublinhou ontem, à margem de uma visita à Casa de Saúde de São Miguel.
Luís Cabral afirma que não quer que “venha alguém de fora dizer que cortes é que temos de fazer”. Admite, contudo, que terá de haver “uma reestruturação, uma diminuição do número de serviços, mas seremos nós a decidir como a fazer”, ressalva.
No que se refere à Saudaçor, Luís Cabral não tem dúvidas de que a Região não retiraria nenhum benefício da sua extinção. Defende, em alternativa, tal como sugerido por algumas forças partidárias que deve haver uma redefinição das funções da Saudaçor.
Já a proposta de pôr fim ao estatuto empresarial dos hospitais mereceu o seguinte comentário do secretário regional: “o que deve ser pensado de uma forma global é que organização do serviço regional de saúde queremos”. Luís Cabral considerou interessante “a proposta avançada da centralização da gestão dos hospitais”.Secretaria equaciona rever salários das administraçõesA maioria dos administradores dos três hospitais da Região ganha em média mais 450 euros do que um administrador num dos grandes hospitais do país.Segundo o Diário Insular, o salário mensal das presidentes dos conselhos de administração dos hospitais de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo é de 6627 euros, e na Horta de 6351 euros - valor auferido também pelos vogais da administração dos Hospitais de Ponta Delgada e Angra, enquanto os da Horta ganham 6037 euros. “Estes preços estavam tabelados segundo os pagamentos em vigor no sistema público”, explicou o secretário regional da Saúde que considera que é altura de repensar “esses valores”, assim como a dimensão das administrações. Luís Cabral diz que “é pouco percetível a dimensão dos conselhos de administração, e que pessoas com esse nível de vencimento não sejam capazes de serem parceiros, de proporem medidas concretas”.