Saúde, impostos e censura ao Governo no arranque da segunda sessão legislativa
13 de set. de 2023, 09:22
— LUSA/AO online
Os debates quinzenais com o primeiro-ministro,
que PS e PSD concordaram em passar a bimestrais no verão de 2020,
deveriam regressar no dia 27, mas caso a conferência de líderes – a
realizar na sexta-feira - confirme o debate da moção de censura para dia
19, tal poderá rearrumar os trabalhos parlamentares.Segundo
a nova versão do Regimento, aprovada antes do verão, não se realizarão
os debates com o chefe do Governo “na quinzena seguinte à discussão de
moções de confiança ou moções de censura”.Tal
como determina a Constituição, a nova sessão legislativa arrancará no
dia 15 de setembro e o plenário de sexta-feira será ocupado com um
debate sobre o Serviço Nacional de Saúde, pedido pela comissão
parlamentar desta área, e com uma evocação da poeta Natália Correia no
centenário do seu nascimento.Na próxima
semana, depois da moção de censura do Chega – com ‘chumbo’ garantido
pela maioria absoluta do PS - será a vez de o PSD protagonizar o debate
no dia 20, com a discussão das suas propostas de redução fiscal,
incluindo a que pretende baixar 1.200 milhões de euros no IRS já este
ano.No dia seguinte, outro tema polémico: a
reapreciação do diploma com medidas sobre habitação vetado pelo
Presidente da República, com confirmação já anunciada pela maioria
absoluta do PS, o que obrigará Marcelo Rebelo de Sousa a promulgar o
texto no prazo de oito dias.A fechar a
longa semana parlamentar, caso não haja alterações, um debate de
atualidade pedido pelo PCP sobre o arranque do ano letivo deverá
concentrar as atenções no plenário de dia 22.Dos
principais diplomas que transitaram da primeira sessão legislativa,
apenas a lei do tabaco – que gerou controvérsia na bancada do PS – já
tem discussão em plenário agendada para dia 28, com os metadados ou a
reforma das ordens profissionais a aguardarem ainda trabalho na
especialidade.Na segunda sessão
legislativa, entrarão em vigor as novas regras do Regimento, que além do
regresso dos debates quinzenais darão também mais alguns poderes aos
debates únicos e permitirão, em casos excecionais, o funcionamento dos
plenários à distância e votações remotas.A
revisão constitucional desencadeada na anterior sessão terá nesta
sessão o seu desfecho – qualquer mudança terá de ser aprovada por dois
terços, implicando um acordo entre PS e PSD -, com a fase de votações
finais no grupo de trabalho prevista para começar em outubro.Entre
os diplomas ‘herdados’ da primeira sessão, estão projetos de lei do PS,
BE, PAN e Livre que preveem a proibição e criminalização das chamadas
“terapias de conversão” sexual, iniciativas do PS, BE e PAN sobre
legislação para a autodeterminação da identidade de género nas escolas
ou o regime excecional proposto pelo Governo que permitirá o voto em
mobilidade e o direito de voto antecipado nas europeias do próximo ano.Na
especialidade, aguardam ainda diplomas como um do BE para permitir o
pagamento do apoio extraordinário a famílias vulneráveis por vale
correio e não apenas por transferência bancária, uma iniciativa do PSD
que altera o Estatuto do Cuidador Informal (para abranger parentes que
não vivam com a pessoa e casos em que não exista laço familiar) ou
projetos de lei do BE, PCP e PAN, sobre o aumento da quota mínima de
música portuguesa a emitir nas rádios, entre outros.Entre
final de outubro e início de dezembro os trabalhos parlamentares
estarão, como habitualmente, concentrados no debate e votação do
Orçamento do Estado para 2024, que será entregue na Assembleia da
República em 10 de outubro.