Saúde e Educação são setores com maior impacto da greve nos Açores

27 de out. de 2017, 12:48 — Lusa/AO Online

“Os setores com maior impacto são os da saúde e da educação. Temos conhecimento que existem muitas escolas encerradas e outras estarão a trabalhar a meio gás muito por força dos programas ocupacionais do governo regional”, afirmou o coordenador regional do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, João Decq Mota, à Lusa.Segundo disse, “estes trabalhadores embora estejam a desempenhar funções permanentes de serviço, não podem fazer greve porque estão em programas ocupacionais e não têm regalias, recebem só um montante a título de subsídio”.João Decq Mota referiu ainda que o Hospital de Ponta Delgada, em São Miguel, está a registar "uma adesão muito elevada e a cumprir os serviços mínimos"."Há um pouco por toda a administração pública adesão à greve da administração pública. As razoes que a nível nacional motivaram esta paralisação também se justificam naturalmente nos Açores", frisou, acrescentando ser para já “muito prematuro avançar com números” da adesão na região.O presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores, António Lucas, disse que a greve levou esta manhã ao encerramento de "muitos" estabelecimentos de ensino na região, nomeadamente em São Miguel, Terceira e São Jorge,"Muitas escolas remetem dados para o princípio da tarde. Mas, há bons indicadores de adesão à greve o que só reforça a nossa razão", sublinhou António Lucas, à Lusa.No setor da Justiça, a coordenadora do Sindicato dos Funcionários Judiciais nos Açores, Maria Justina Neto, indicou à agência Lusa que o núcleo de Ponta Delgada (São Miguel), que inclui os juízos de Família e Menores, os juízos Centrais e Locais de Crime e Cível e o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) regista uma adesão de 12%.No núcleo da Ribeira Grande a adesão foi de 37% e 10% em Vila Franca do Campo, em São Miguel, enquanto em Vila do Porto (Santa Maria) a paralisção situou-se até ao final da manhã nos 40%. No caso de Angra do Heroísmo (Terceira) foi de 47%, na Praia da Vitória, na Terceira, 12,5% e nas Velas (São Jorge 40%.Maria Justina Neto explicou que em Santa Cruz das Flores, Santa Cruz da Graciosa, São Roque do Pico, Horta (Faial) não aderiram funcionários.A adesão à greve, a nível nacional, no segundo turno dos hospitais e nas escolas estava, às 10:00 de hoje, próxima dos 100%, segundo a coordenadora da Frente Comum de sindicatos da Função Pública, Ana Avoila.Os professores também estão a cumprir uma greve, convocada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) em defesa dos direitos, das carreiras, da estabilidade e dos salários.Em causa na greve nacional está a falta de respostas às reivindicações da Frente Comum, como o aumento dos salários na função pública, o descongelamento "imediato" das progressões na carreira e as 35 horas semanais para todos os trabalhadores.É a terceira greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública com o atual Governo e a primeira convocada pela Frente Comum de Sindicatos, segundo a listagem cedida pela estrutura sindical.A primeira greve com o executivo de António Costa ocorreu em 29 de janeiro de 2016 e foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos da Administração Pública, assim como a de 26 de maio deste ano, que teve como objetivo reivindicar aumentos salariais, o descongelamento das carreiras, o pagamento de horas extraordinárias e a redução do horário de trabalho para 35 horas em todos os serviços do Estado.