Para Nazaré da Costa
Cabral, a saúde é uma "área muito problemática que continua a ser
complexa", segundo alertou na conferência de apresentação da atualização
das previsões económicas e orçamentais.No
caso do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a despesa cresceu 9% no ano
passado e este ano, apesar de desacelerar, vai voltar a rondar esse
valor, nota. Se primeiro a pandemia levou a
um argumento para o aumento da despesa em saúde, recordou, depois veio o
pós pandemia e agora "já é 'pós-pós pandemia' e a despesa todos os anos
continua a ter um padrão de crescimento que leva a acreditar que não
está controlado". "Não vemos medidas, que
tenham sido anunciadas, de controlo efetivo do crescimento da despesa
pública, especialmente neste setor e noutros setores", acrescentou. Neste
cenário, a presidente do CFP defendeu que "é importantíssimo fazer uma
revisão da despesa, seja no setor da saúde como outros setores do
Estado, que seja consequente".No relatório
publicado sobre as "Perspetivas Económicas e Orçamentais
2025-2029", a entidade destaca que o desempenho orçamental positivo dos
dois últimos anos tem ficado a dever-se principalmente aos excedentes
expressivos no subsetor da Segurança Social.Por
outro lado, "o subsetor da Administração Central apresenta-se
deficitário e sujeito a pressões crescentes de despesa e de difícil
controlo, como sucede no Serviço Nacional de Saúde, e a novas exigências
de despesa em investimento público e defesa nacional".Nesta
atualização das previsões, o CFP manteve a estimativa de um saldo
orçamental nulo este ano e de um défice em 2026, ainda que mais reduzido
do que o previsto em abril, de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), em
vez de 1%.