SATA pagou cinco milhões de euros de comissões iniciais num empréstimo de 65ME
13 de jan. de 2020, 13:14
— Lusa/AO Online
No relatório
sobre a apreciação à Conta da Região de 2018, publicado recentemente, o
TdC refere que, de acordo com a informação divulgada no anexo às
demonstrações financeiras da companhia aérea, o empréstimo
obrigacionista, no montante de 65 milhões de euros e efetuado através do
Deutsche Bank, resultou no dispêndio de “cerca de cinco milhões de
euros só em comissões iniciais”.Esse custo
da operação financeiro é 10 vezes superior àquele que o Governo dos
Açores divulgou, na ocasião, na resolução n.º 137/2018, publicada em 17
de dezembro de 2019 no Jornal Oficial e assinada pelo vice-presidente,
Sérgio Ávila.O documento refere apenas um valor de 450 mil euros a título de “comissão de montagem”.O
empréstimo dos 65 milhões de euros, contraído pelo período de 10 anos,
com aval do executivo regional, apresentava uma taxa de juro de 2,7%,
sendo o pagamento dos juros feito anualmente, de acordo com a ficha
técnica publicada em anexo à referida resolução.Questionado
sobre esta divergência de números, o vice-presidente do Governo dos
Açores, que tutela a área das Finanças, explicou que os valores em causa
se referem a “duas coisas diferentes”: “Uma coisa são os custos da
comissão de montagem definidos previamente pelo banco; outra coisa é o
pagamento de parte dos juros, que foi feita à cabeça, por parte da
SATA”.Segundo o governante, a emissão das
obrigações foi feita "abaixo do par", ou seja, com desconto, no sentido
de ser mais atrativa para os investidores, mas em contrapartida fez com
que a companhia aérea tivesse de pagar “à cabeça” parte dos juros do
empréstimo.“Nesse sentido, em vez de a
SATA vir a pagar 2,7% de juros por 10 anos, irá pagar apenas 2,5%”,
esclareceu Sérgio Ávila, em declarações à agência Lusa.Independentemente
de esta operação ter sido mais ou menos vantajosa para a companhia
aérea, o TdC revela, no relatório da Conta da Região de 2018,
preocupações com o aumento “substancial” dos encargos com as dívidas da
transportadora açoriana.“Não restou ao
grupo SATA outra alternativa senão a de intensificar o recurso ao
crédito para colmatar as respetivas necessidades de financiamento, o que
acabou por projetar a respetiva dívida total para 292,3 milhões de
euros – um agravamento de 38,7 milhões de euros face a 2017”, refere a
entidade.