SATA e agências temem impacto de alteração no subsídio de mobilidade nos Açores
17 de mai. de 2024, 17:09
— Lusa/AO Online
“Poderá
dar-se o caso de a companhia ter feito uma cobrança ao passageiro, no
valor de 134 euros, que depois poderá não ser aceite ao nível do
critério de elegibilidade, o que significa que o ónus dessa diferença
[em relação ao preço de venda] ficará na companhia”, advertiu Carla
Neto, administradora da companhia pública açoriana SATA, ouvida na
Comissão de Economia da Assembleia Regional, em Ponta Delgada.Segundo
a representante, as transportadoras não dispõem de bases de dados com
informação sobre os residentes que permitam atestar a sua elegibilidade
para o subsídio, comprovando a sua morada.Os
deputados estão atualmente a efetuar audições das transportadoras
aéreas, de representantes do Governo Regional e do Governo da República,
a propósito de uma proposta do Chega que pretende “simplificar o modelo
de atribuição do subsídio social de mobilidade a residentes dos Açores,
nas viagens de ida e volta ao continente”.O
subsídio permite aos residentes no arquipélago deslocarem-se para o
continente com uma tarifa aérea máxima de 134 euros. Porém, é necessário
adquirir inicialmente a passagem pelo preço de venda e só depois de
efetuada a viagem todo o valor acima desta meta de 134 euros é
ressarcido a título de reembolso pelo Estado.O
Chega propõe que os residentes paguem no máximo os 134 euros logo no
ato de compra, para acabar com a especulação no preço dos voos. Nesse
caso, o reembolso da diferença seria tratado pelos operadores
diretamente com o Estado.Carla Neto
admitiu que o atual modelo provoca “alguns constrangimentos”, sobretudo
aos passageiros, que têm primeiro de adquirir as suas passagens a preços
muitas vezes superiores ao teto máximo, mas sugeriu que seja criada uma
“figura intermediária”, que não coloque “o risco” apenas nas
companhias.“Poderia, eventualmente, haver
aqui um intermediário, um terceiro, que possa assegurar, ao nível
financeiro, este processo. Essa poderia ser uma opção”, explicou a
administradora da companhia aérea açoriana, lembrando que, do ponto de
vista da SATA, “o modelo atual, resulta”.Também
o presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens (APAVT),
Pedro Ferreira, entende que os operadores turísticos poderão acabar por
ser os principais prejudicados com estas alterações ao subsídio social
de mobilidade agora propostas no parlamento açoriano.“Se
o passageiro residente não entregar a documentação necessária, ou se a
documentação não estiver em ordem, o que diz no anteprojeto é que a
agência de viagens não terá direito ao reembolso da passagem, o que
significa que há um aumento do risco e um aumento dos custos”, alertou o
representante, na audiência parlamentar.Pedro
Ferreira disse ainda que as alterações propostas pelo Chega poderão
também introduzir “efeitos perversos”, nomeadamente a redução de lugares
disponíveis nos aviões para os turistas que pretendam visitar os
Açores.“A ocupação dos aviões, a preços
baixos, para os residentes, mas subsidiados pelo Estado, está a afastar
dos aviões os turistas e pode estar a afastar mais rendimento ao
arquipélago os Açores”, frisou o presidente da APAVT.