Sargentos defendem que militares do Mondego merecem “a solidariedade de todos”
22 de mar. de 2023, 09:58
— Lusa/AO Online
“Os 13
militares (quatro sargentos e nove praças) da guarnição do Navio da
República Portuguesa (NRP) Mondego que, no passado dia 11 de Março de
2023, formaram no Cais de Pesca do Funchal merecem a consideração, o
apoio e a solidariedade de todos”, lê-se num comunicado enviado à
imprensa. Os sargentos salientam que estão
em causa “homens experimentados, técnicos altamente especializados,
cientes dos seus deveres” e comprometidos com a Constituição, que
“sabiam, e sabem, melhor que ninguém, o que se passava, e passa, no seu
navio”.A associação salienta que estes
militares, na sua grande maioria, foram condecorados pelos serviços que
têm prestado à Marinha e ao país e que entre estes, oito, “enquanto
elementos da guarnição do NRP Mondego, foram louvados recentemente pelo
Comandante Naval”.Para os sargentos, estes
marinheiros exerceram o seu dever de tutela, “numa atitude consciente
da importância e da necessidade do seu ato”, tendo tido a coragem “de,
lealmente, informar o seu comando, que o navio não estava pronto para
largar do cais para cumprimento da missão”. “E
fizeram-no de forma disciplinada, saindo do navio e formando
militarmente no cais, assim afirmando a sua total disponibilidade para
servir, mas não naquelas condições técnicas. Não nas condições a que a
Comissão Liquidatária das Forças Armadas (tutela militar e tutela
política), a trabalhar há décadas, deixou chegar o material e as
condições dos Homens e Mulheres Militares, exigindo sempre, e a qualquer
preço, o cumprimento da missão”, acusa a associação.Para a ANS, devem exigir-se responsabilidades aos principais responsáveis políticos e militares. “E
não, não foram arruaceiros, instigados por qualquer maquiavélica
maquinação, como se tem visto ser bolsado por uma série de
‘comentadeiros’, que da coisa militar nada sabem, e da naval muito
menos”, critica a associação. Para os
sargentos, "quem formou no cais foram 13 Marinheiros corajosos, leais e
disciplinados a quem todos os verdadeiros camaradas, verdadeiros
militares e verdadeiros portugueses deverão estar sinceramente
agradecidos”.A comissão parlamentar de
Defesa aprovou na quarta-feira por unanimidade a audição da ministra
Helena Carreiras e do chefe do Estado-Maior da Armada, na sequência da
polémica que envolveu o navio ‘Mondego’.No
passado dia 11 de março, o NRP Mondego falhou uma missão de
acompanhamento de um navio russo a norte da ilha de Porto Santo, no
arquipélago da Madeira, após 13 militares terem recusado embarcar,
alegando razões de segurança.O Ministério
Público suspendeu na segunda-feira a audição destes militares por
decisão da procuradora para analisar o processo com mais detalhe, foi
anunciado pela defesa.Os militares em
causa iam ser ouvidos pela Polícia Judiciária Militar (PJM), em Lisboa,
no âmbito de inquérito criminal após participação feita pela Marinha.O ramo também já instaurou processos disciplinares.