São Jorge vai pedir ao Governo dos Açores reforço de ligações aéreas

21 de jan. de 2019, 20:00 — Lusa/AO Online

Maria Isabel Teixeira, que falava à agência Lusa na véspera do começo de uma visita oficial de três dias do Governo dos Açores à ilha, declarou que as acessibilidades são uma problemática que “continua a preocupar muito” o Conselho de Ilha de São Jorge.A responsável refere que o fluxo turístico para aquela ilha do grupo central do arquipélago “tem vindo a aumentar” e os seus habitantes que querem sair ou regressar “têm muitas dificuldades em fazê-lo” por falta de disponibilidade lugares na SATA Air Açores, companhia que assegura as ligações aéreas inter-ilhas.Para além das ligações aéreas, Maria Teixeira queixa-se que a ilha ficou “muito lesada” com o encalhamento do barco da Atlânticoline na Madalena, ilha do Pico, em 2018, nomeadamente em termos de ligações entre o concelho da Calheta e Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.“Também a nível do Triângulo (Faial, Pico, São Jorge) necessita-se que seja revisto, de uma vez por todas, este modelo de transporte”, defende a responsável.Ainda neste capítulo, a presidente do Conselho de Ilha preconiza uma ligação com o Pico e Faial em outros horários que assegurem que os jorgenses chegam mais cedo àquelas duas ilhas do grupo central.O futuro da indústria conserveira Santa Catarina foi outro dos temas da reunião do Conselho de ilha que antecede a visita do executivo regional, uma vez que a fábrica está a ser confrontada com “graves problemas de sustentabilidade”.O Governo Regional socialista interveio no capital social da empresa por forma a salvaguardar os seus postos de trabalho e assegurar a sua viabilidade financeira, estimando-se a sua dívida bancária em oito milhões de euros.Sendo a fábrica a maior entidade empregadora de São Jorge, com 140 funcionários, na sua maioria mulheres, o Conselho de Ilha é contra a sua privatização por temer que o processo tenha consequências económicas e sociais graves para a economia local.Contrariamente aos anos anteriores, o Conselho de ilha não elaborou o tradicional memorando para entregar ao Governo Regional na véspera da visita dos governantes a São Jorge.Em 2018, durante a visita oficial do Governo Regional, o Conselho de Ilha protagonizou um acontecimento insólito ao não permitir que a comunicação social assistisse à reunião deste órgão com o executivo açoriano.A ilha de São Jorge, com cerca de 10 mil habitantes, espalhados por dois concelhos - Velas e Calheta -, é conhecida pela qualidade do seu queijo e das suas conservas de atum, bem como pela beleza natural das suas fajãs.O Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores determina que o Governo Regional deve visitar cada ilha do arquipélago, pelo menos, uma vez por ano e reunir o Conselho de Governo na ilha visitada.