São Jorge é conhecida pelo queijo e 70 fajãs classificadas pela Unesco
24 de mar. de 2022, 15:47
— Lusa/AO Online
São
Jorge tem origem vulcânica, como todas as ilhas dos Açores, e
integra o grupo central do arquipélago, de que também fazem parte Faial,
Pico, Terceira e Graciosa.A ilha está
organizada administrativamente em dois concelhos, Velas e Calheta, onde
vivem, respetivamente, 4.936 e 3.437 pessoas, segundo os dados
provisórios dos censos da população de 2021.Uma das principais atividades da ilha é a agropecuária, para produção, essencialmente, de queijo, um dos símbolos de São Jorge.Mas
é também na ilha, no concelho da Calheta, que está localizada a fábrica
de conservas Santa Catarina, que fornece para todo o país e exporta
para o estrangeiro.Outro dos ex-líbris de
São Jorge são as suas mais de 70 fajãs, que foram classificadas a 19 de
março de 2016 Reservas da Biosfera da Unesco, a agência das Nações
Unidas para a Educação e Cultura.As
Reservas da Biosfera são ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos
reconhecidos para responder ao desafio de conciliar a conservação da
natureza com a presença humana, no sentido do desenvolvimento económico e
social e da manutenção de valores e tradições culturais associados.As
fajãs são terrenos planos e férteis ao nível do mar que resultaram da
acumulação de detritos na sequência de terramotos ou escoadas lávicas de
erupções vulcânicas.O clima mais ameno do
que nos pontos mais altos da ilha fez das fajãs terrenos agrícolas e "a
despensa" de São Jorge, por ser aí que são plantados muitos produtos
hortícolas e frutícolas, como disse à Lusa Clímaco Ferreira da Cunha, em
julho de 2014, quando lançou o livro “S. Jorge e as suas fajãs”.As
características únicas destes terrenos permitem até pequenas produções
de produtos como o café, fazendo dos Açores o único local da Europa onde
isso acontece.“As fajãs eram de facto a
despensa das pessoas de São Jorge. A ilha é muito alta para produzir as
sementeiras de batata, alhos e cebolas. Isso tudo era semeado e plantado
nas fajãs”, afirmou Clímaco Ferreira da Cunha.Além
de serem ainda terrenos usados para a agricultura, as fajãs, algumas
delas de difícil acesso, têm-se tornado também atração para turistas.A
crise sísmica que atualmente vive a ilha não é inédita e lembra outras
recentes nos Açores, que acabaram por fazer vítimas mortais e destruir
património e afetaram também São Jorge, como aconteceu em 1964, quando
cinco mil pessoas foram retiradas da ilha.A 01 de janeiro de 1980, às 15h42, um sismo com
intensidade de 7,2 na escala de Richter e epicentro no mar, a 35
quilómetros a sudoeste da cidade de Angra do Heroísmo, abalou as ilhas
Terceira, Graciosa e São Jorge. Morreram
cerca de 70 pessoas e mais de 20 mil ficaram desalojadas. Mais de 15.000
habitações ficaram danificadas ou mesmo totalmente destruídas,
sobretudo, na ilha Terceira, que viu o centro histórico de Angra do
Heroísmo classificado como Património Mundial da Humanidade em 1983, num
reconhecimento dos trabalhos de reconstrução.Em
1998, um terramoto com uma magnitude de 5,9 na escala de Richter
provocou oito mortos, destruiu grande parte do parque habitacional do
Faial e danificou cerca de 20% das casas da vizinha ilha do Pico, tendo
também provocado danos em São Jorge.As ilhas de São Jorge, Pico e Faial, próximas entre si, formam o designado "triângulo" do arquipélago dos Açores.