São João implementa protocolo de telemonitorização de doentes cirúrgicos graves
27 de mai. de 2024, 09:03
— Lusa/AO Online
“Identificando
precocemente possíveis complicações, evitamos que os doentes, quando
pioram, desçam para os cuidados intensivos já em fase crítica”, disse à
agência Lusa a diretora clínica para os Cuidados Hospitalares da Unidade
Local de Saúde de São João (ULSSJ), Elisabete Barbosa.É
colocado um aparelho em doentes internados em enfermaria que não têm
critérios de gravidade que justifique internamento numa unidade de
cuidados intensivos ou intermédios, mas que se sabe que, quer seja por
complicações decorrentes da cirurgia, quer seja por comorbilidades
associadas, podem agravar.Este aparelho –
que “não substitui o enfermeiro e a vigilância humana”, salvaguardou o
diretor de Medicina Intensiva da ULSSJ, José Artur Paiva – monitoriza
dados como a frequência cardíaca, a frequência respiratória, a saturação
de oxigénio, a temperatura axilar e a tensão arterial, gerando alertas
que são visionados na consola dos profissionais de saúde e na sala de
enfermagem.À Lusa, Elisabete Barbosa adiantou que no futuro se espera que os dados também possam ser vistos nos telemóveis de serviço.Os aparelhos não têm fios e são resistentes à água, permitindo ao doente tomar banho e deslocar-se com eles.“Se
um enfermeiro for visitar o doente que está em enfermaria [nível de
cuidados 0 ou 1 que antecede os intermédios, 2, ou os intensivos, 3] de
duas em duas horas, o que se passa nesse intervalo está dependente da
descrição do próprio doente. Se o doente não estiver capaz, esta
tecnologia adiciona valor (…) e quando o doente vai, por exemplo, fazer
exames, continua monitorizado”, destacou José Artur Paiva.Além
da introdução desta monitorização em tempo real, o protocolo criado
inclui procedimentos que visam melhorar a comunicação e discussão
clínica entre a Cirurgia Geral e a Medicina Intensiva, para facilitar a
definição da estratégia clínica e agilizar, se necessário, as
transferências.“A monitorização permite
identificar precocemente o agravamento, evitando a fase critica e pode
até nem chegar a ingressar de forma urgente nos cuidados intensivos”,
explicou Elisabete Barbosa sobre um protocolo criado em fevereiro e que
“tem mostrado muitas vantagens”.No
Hospital de São João foi criada uma equipa dedicada a este protocolo,
com um médico intensivista e um médico de cirurgia geral sempre
disponíveis.Em caso de alerta, esta equipa é ativada e decide os próximos passos em conjunto. Antes,
identificada a complicação, ou seja o agravamento do estado clínico, o
doente ia para a sala de emergência e era aí que era avaliado.“Em
50 e 60% dos casos o médico acha preferível vir para intensivos. Nos
outros 40% pode considerar que não há necessidade de ir para intensivos,
mas desde logo há uma conversa que permite melhorar o plano
estratégico. O processo é sempre ganhador. Não nos importa nada ter ido
lá [à cirurgia geral] e que uma parte dos doentes não tenha critérios de
vir. Importa-nos que não nos escape nenhum que tenha critérios de vir
[para os cuidados intensivos”, concluiu José Artur Paiva.